Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 02/11/2019
No início do século XX, uma política sanitária autoritária obrigou a imunização da população da cidade do Rio de Janeiro, a qual não tinha conhecimento sobre o funcionamento de tal procedimento, o que culminou na Revolta da Vacina. De modo similar, hodiernamente, o Brasil vive um momento de descrença quanto aos benefícios e à necessidade da vacinação, e em consequência, a cobertura vacinal tem caído drasticamente. Tal conjuntura tem sido corroborada pelas inócuas ações estatais, bem como pela falta de criticidade da sociedade, e dessa maneira, merece ser amplamente debatida.
A priori, é imperioso ressaltar a mediocridade da cobertura preventiva que o Estado tem proposto, o que tem deixado a população em situação de insegurança em relação às patologias epidêmicas. Sob essa perspectiva, segundo o portal R7, 2019, em vários estados, dentre eles São paulo e Minas Gerais, os postos de saúde estão sem a vacina polivalente, a qual é capaz de proteger a criança de até cinco doenças. Diante disso, consoante aos pensamentos do filósofo contratualista John Locke, tal conjuntura caracteriza-se quebra do “pacto social”, haja vista que o aparato estatal não tem garantido uma das cláusulas pétreas da Constituição Brasileira, que é o acesso amplo e irrestrito à saúde preventiva de qualidade.
Outrossim, convém afirmar que os movimentos antivacina têm crescido significativamente no Brasil. À vista disso, consoante à Fundação Getúlio Vargas, em 2018, cerca de 20% dos brasileiros consideram a imunização inútil. Desse modo, tal cenário é um exemplo da menoridade intelectual delineada pelo filósofo Immanuel Kant. Sob esse viés, para tal pensador iluminista, o indivíduo alcança sua maioridade intelectual quando para de agir de maneira alienada e passa a proceder com o exercício da razão. De maneira análoga, o corpo social brasileiro só conquistará sua “maioridade” quando for capaz de reconhecer, destituída de amarras de conspiração e do senso comum, que a vacinação é vital para o pleno funcionamento da saúde pública.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar tal agrura. Assim sendo, é necessária a ação conjunta entre os Ministérios da Saúde e da Educação. Ao primeiro, deve de majorar o fornecimento das vacinas, por meio do aumento de doses nos locais mais carentes, com o fito otimizar a cobertura do serviço. Ao segundo, cabe estimular o pensamento crítico da população, por intermédio de palestras escolares e reuniões municipais que debatam a questão imunizante, com o objetivo de elevar o conhecimento da sociedade brasileira.