Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 08/03/2020
O planejamento e execução de políticas públicas relacionadas a vacinação dos cidadãos brasileiros, encontra óbice no desabastecimento de vacinas nos municípios, na escassez de recursos financeiros destinados à saúde, bem como na crença de uma parcela da população em que as vacinas fazem mais mal do que bem. Esses três fatores geram, em seu conjunto, um grande desafio para o Sistema Único de Saúde na prevenção e cura de doenças virais atualmente.
O desabastecimento de imunobiológicos representa, para as crianças e adolescentes, um grave problema, uma vez que ao deixar de serem imunizados, ficam mais suscetíveis às doenças virais, podendo inclusive vir a óbito. A Sociedade Brasileira de Pediatria, inclusive, aponta para o aumento da taxa de mortalidade em decorrência de doenças virais, tais como: sarampo, caxumba, rubéola e poliomelite, antes tidas como erradicadas. Não obstante, a crise orçamentária que tem afetado todos os Municípios brasileiros, contribui em grande medida para a diminuição de investimentos em políticas de saúde pública. Por último, existe a crença de uma parcela da população de que a vacinação não é benéfica, o que leva os pais a não vacinarem seus filhos. Essa percepção tem como origem histórica a Revolta da Vacina, no início da República, onde o médico Oswaldo Cruz quis impor a vacinação coletiva, o que gerou um descontentamento coletivo na época.
O programa Nacional de Imunização, do Sistema Único de Saúde, apesar de ter contribuído para a redução das desigualdades regionais e sociais, por meio da garantia do acesso a ampla vacinação, encontra dificuldade atualmente em sua realização, devido aos fatores supramencionados. Outrossim, o surgimento de novas ameaças virais, em nível global, como o coronavírus, demonstra que a destinação do orçamento para o combate desse tipo de doença deve ser repensado, de forma que seja aumentado e melhor distribuído entre os Estados e Municípios.
Por fim, o Estado é obrigado, por meio da Constituição, em financiar a saúde pública, destinando recursos orçamentários para a prevenção e tratamento das enfermidades. Para a realização deste fim, deve investir recursos financeiros, repartindo as receitas advindas do orçamento entre os demais entes da federação. Além disso, deve fornecer atendimento médico de qualidade a população, bem como promover campanhas para conscientizar da importância da vacinação, além de incentivar os pais a imunizarem seus filhos recém nascidos, com o fim de minimizar a mortalidade infantil. Nesse sentido, deve priorizar os programas de atenção básica à saúde, pois garante a população carente o amplo acesso aos serviços médicos, reduzindo assim as taxas de mortalidade nas comunidades.