Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 21/03/2020
No livro “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago, escritor português, narra a alienação do homem em relação a ele mesmo, utilizando da cegueira como metáfora para a perda de discernimento no hodierno. Fora da ficção, a obra reflete nos desafios para garantir a vacinação populacional, haja vista que os contemporâneos movimentos anti-vacina retrocedem os avanços. Evidencia-se, então, que não só a ínfima divulgação dos benefícios dessa, mas também a precariedade do serviço público destacam-se como motivadores da permanência desse cenário negativo no século XXI.
A priori, conforme John Locke, filósofo inglês, “O homem é o lobo do homem”, dado que as poucas divulgações acerca das vantagens das vacinas trazem consequências a toda sociedade. Nesse viés, pode-se citar a volta do sarampo no Brasil, devido aos movimentos anti-vacinação, que havia sido erradicado do país. Por conseguinte, a nação perdeu o certificado de eliminação do sarampo pela OPAS (Organização Panamericana de Saúde). Confirma-se, assim, de acordo com a obra “Entre Quatro Paredes”, do filósofo Jean-Paul Sarte, “O inferno é os outros”, visto que, preocupantemente, a população é posta em riscos pelo movimento. Desse modo, promover uma reflexão crítica do panorama hodierno é imprescindível à desconstrução desse quadro.
De maneira análoga, os precários serviços públicos de saúde também corroboram para o agravamento da problemática. Sob tal ótica, em conformidade com a Constituição Federal de 1988, “É dever do Estado garantir o acesso à saúde a todos”. Todavia, apesar das vacinas serem distribuídas gratuitamente a sociedade, a premissa central da Carta Magna é contraposta, haja vista que a quantidade não assiste todos os cidadãos, principalmente os moradores das periferias. Nesse sentido, ações plurais urgem à diluição desse quadro.
Torna-se visível, portanto, que os desafios para garantir a vacinação necessitam de condutas que retirem os obstáculos para o desenvolvimento social do país. Faz-se necessário, logo, que o Governo Federal, com o Ministério da Saúde, invista em campanhas de conscientização da vacinação, promovendo palestras públicas, com profissionais da saúde, a fim de explicar os benefícios dessas no desenvolvimento biológico. É mister também, que levem incentivos a vacinação nas escolas, por meio do personagem infantil “Zé Gotinha”, com fito de imbuir nas crianças a importância dessas. Com tais implementações, a cegueira da maleficência das vacinas poderá ser uma mazela na passado do Brasil.