Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 12/04/2020
Poliomielite, rubéola, coqueluche, tétano, varíola. Inúmeras enfermidades deixaram de ser problemas de saúde pública no Brasil devido à vacinação. Com disponibilidade gratuita, o país apresenta grande potencial no que se refere a essa importante política de prevenção. No entanto, nos últimos anos, as porcentagens de imunização vêm caindo de forma preocupante e surtos de doenças já controladas indicam grande retrocesso. Esse problema é sustentado pela ascensão do movimento antivacina, assim como pelas deficiências nas campanhas de vacinação.
Em 1998, um artigo publicado numa revista científica relacionava o aumento de casos de autismo com a vacina tríplice viral. Embora provado falacioso, o texto acabou deflagrando o movimento antivacina. Esse se espalhou pelas comunidades alicerçado na falta de informação e nas preocupações de responsáveis sobre efeitos colaterais. Levando histeria, essa mobilização já pode ser apontada (combinada a outros fatores) como causa de surtos de doenças. Por exemplo, surtos de sarampo, doença prevenida justamente pela vacina tríplice viral. Vale apontar que mesmo diante do cenário de propagação desse pensamento, o ministério da saúde ainda não se pronunciou sobre o assunto, deixando, por negligência, que a desinformação se espalhe e que a situação se agrave.
Além de falhas concernindo o combate a discursos contra os imunobiológicos, os órgãos de saúde também erram quanto às campanhas de vacinação. Essas são deficientes por sua ocasionalidade, não possuem a periodicidade necessária para resultados satisfatórios. São raras principalmente quando tratando de doenças controladas no país, expondo a população à contaminação a partir de pessoas vindas de nações sem fortes políticas de prevenção. A divulgação também precisa ser mais elucidativa e cativante. Uma campanha mal feita pode causar grandes estragos, como na Revolta da Vacina, durante a república velha, em que campanhas coercitivas e pouco informativas geraram grande descontentamento.
Diante da enorme importância da vacina para a saúde pública brasileira, medidas consistentes devem ser tomadas com urgência. Primeiramente, o ministério da saúde deve reconhecer o movimento antivacina como uma ameaça à saúde dos brasileiros e se pronunciar contra este através de campanhas em meios de comunicação, com o intuito de combater a desinformação. Além disso, o governo, aliado a organizações de saúde locais, precisa reformar a periodicidade da divulgação da vacinação e sua linguagem a partir da ação de gestores de saúde e de política pública para que sejam mais atraentes e atinjam mais pessoas.