Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 30/03/2020

A Revolta da Vacina, um dos movimentos mais agressivos da população contra benesses governamentais. No início do século XX, no Brasil, essa foi marcada, sobretudo, pela desconfiança dos brasileiros frente a agulhas e a uma possível tentativa de erradicação humana mediante vacinas. Anacronicamente, vive-se hoje um nefasto impasse atrelado à vacinação de todos os cidadãos: a descrença popular, a qual incita, importunamente, uma sociedade frágil perante doenças. Nesse contexto, é necessário um mutualismo social e governamental no combate ao problema.

Cabe ressaltar, em primeiro plano, que a descrença das pessoas nas vacinas está, intimamente, relacionada a idiossincrasias da espécie humana discutidas por Johan Huizinga no livro “Homo ludens”. Nele, o autor explica a ávida busca dos seres humanos por explicações que perpassem ora a ciência, ora a realidade, o que sintetiza a atual razão pelo questionamento conspiratório acerca das vacinas. Essa se materializa no movimento social, inicialmente norte-americano, “Anti-vaccines” - uma causa que condena, erroneamente, as vacinas -, o qual tenta manipular pessoas, utilizando da natureza lúdica johaniana, a acreditarem no teor hediondo desse, com efeito, benefício da biomedicina.

Por conseguinte, enquanto esse panorama permanece intacto, é possível que a sociedade brasileira volte, alegoricamente, cerca de 750 anos no contexto da Peste Negra européia, porquanto a falta de vacinação, promovida pela descrença social, culmina em uma sociedade suscetível a patógenos. Nesse quadro do século XIV, uma doença causada por ratos, conquanto facilmente neutralizável via vacinação - inexistente na época -, corroborou a morte de 50% dos europeus. Analogamente, caso as vacinas continuem sendo ignoradas e repreendidas por parte da população, as atávicas endemias brasileiras terão livre-acesso às pessoas, instaurando um momento caótico de calamidade pública relacionado à saúde.

Portanto, infere-se que, visto a tempestividade da problemática, mudanças são necessárias para tornar, imediatamente, possível a vacinação do povo brasileiro. Para tanto, compete ao Ministério da Saúde, por meio do apoio midiático na realização de propagandas, democratizar o conhecimento científico que circunscreve essa benesse biomédica ao mostrar os perigos da ausência das vacinas na saúde e bem-estar da família. Além disso, visando, também, a tornar a vacina em um elo de confiança entre o Governo e as pessoas, a sociedade pode, mediante as redes sociais, exaltar o ímpar papel delas na saúde dos brasileiros, pois, destarte, observar-se-ia uma população cética, que contradiz Johan Huizinga, e que se envergonha da Revolta da Vacina do século XX.