Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 11/05/2020
Em 1904, o governo do Rio de Janeiro decretou a imunização contra a varíola da população, a qual, sem nenhum esclarecimento sobre o assunto, era violentamente abordada e obrigada a ser vacinada, o que culminou em uma rebelião popular contra a vacinação, denominada Revolta da Vacina. Dessa forma, segundo o artigo 6 da Constituição Federal, todo indivíduo tem direito à assistência médica e à saúde. Contudo, a falta de informação devida por parte da população, que, muitas vezes, tem seu conhecimento obscurecido por notícias e dados falsos que descredibilizam a vacinação, aliada ao falso sentimento de imunidade que muitas pessoas desenvolveram contra doenças menos recorrentes, apresentam-se como obstáculos às perspectivas de mudança deste triste cenário, no qual, segundo a Unicef, o Brasil é terceiro país com maior ressurgência de casos de sarampo.
Nesse contexto, segundo o filósofo italiano Cícero, " A ignorância é a maior enfermidade do gênero humano’’. Dessa maneira, a disseminação de pesquisas e relatórios médicos manipulados em meios de comunicação virtual é muito recorrente, comprometendo, assim, a confiabilidade do corpo social em relação à segurança oferecida pelas vacinas, visto que muitas pessoas, por não saberem o que estas substâncias são propriamente e como agem no organismo, temem desenvolver doenças ou efeitos colaterais ao receber as doses. Nesse viés, este fator é evidenciado por um estudo realizado pelo Fantástico, o qual evidenciou que sete em cada dez brasileiros já consideraram verdadeiras algumas ‘fake news’ sobre a vacinação.
Ademais, em uma entrevista para a BCC News, o médico Drauzio Varella descreve o cenário caótico brasileiro antes das vacinas, no qual as pessoas viviam assustadas com os surtos de, por exemplo, poliomielite e rubéoloa, doenças essas que, com o advento das doses imunológicas, foram erradicadas do país. No entanto, o controle do panorama de epidemia destas enfermidades causou um inverídico senso de segurança e de imunidade em parte da população, que acredita não ser possível contrair essas doenças mais atípicas. Desse modo, aumentou-se a probabilidade de muitas doenças voltarem a acometer a sociedade.
Portanto, a fim de mitigar as quedas nas taxas de vacinação, é necessário que o Governo promova palestras em praças públicas, por meio da contratação de funcionários da saúde que abordem a importância da imunização contra diversas infecções e que expliquem devidamente a atuação das vacinas. Desse jeito, as pessoas elucidariam suas dúvidas devidamente e não dariam credibilidade a notícias falsas. À vista disso, a saúde do povo brasileiro não retrocederia para o contexto da Revolta da Vacina.