Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 23/05/2020
Sempre ácido e crítico, Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, satirizava as hipocrisias e os maus hábitos da sociedade brasileira no século XIX. Ainda que dois séculos tenham se passado, desde a época que viveu o escritor realista, pouco mudou quando se observa os desafios para garantir a vacinação dos brasileiros. Diante disso, cabe analisar tanto o crescimento do movimento antivacina, quanto o desabastecimento de vacinas essenciais como fatores desse cenário, a fim de revertê-lo.
Considerando o exposto, convém ressaltar o aumento perigoso de pessoas que se recusam a imunizar seus filhos. Nesse contexto, adeptos à não-vacinação constituem um problema antigo: em 1904, o médico sanitarista, Oswaldo Cruz, propôs a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola na cidade do Rio de Janeiro. Logo, a população, que desconhecia a importância do líquido imunizante, resistiu à vacinação forçada. Desse modo, observam-se cicatrizes históricas relacionadas à ignorância acerca de pesquisas científicas, como é o caso da vacina.
Outrossim, vale salientar a indisponibilidade de vacinas fundamentais nas unidades públicas de saúde no Brasil. À luz dessa ideia, tal realidade fere o Estatuto da Criança e do Adolescente no que se refere à vacinação como direito da massa infantil e dever dos pais, da sociedade e do Estado. Não há como negar, portanto, que essa faixa etária, foco dos programas de imunização, não tem seu direito garantido como é assegurado pelo Estatuto.
Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar essa problemática. Portanto, o governo, entidade máxima do poder, deve ampliar investimentos em campanhas publicitárias de vacinação. Tal ação pode ser realizada por meio da parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, a fim de reduzir a desinformação sobre a imunização pública no país. Com tais ações, espera-se que o pensamento machadiano seja alterado.