Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 17/06/2020

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a vacinação no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto de fatores de ordem governamental e de ordem social. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de pleno funcionamento da sociedade.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga é possível perceber que, no Brasil, o descaso estatal diante da atual crise de vacinação é fundamental na consolidação do problema. Visto que, apesar de a saúde ser um pilar garantido constitucionalmente, o Estado falha ao não priorizar investimentos em campanhas de vacinação e em recursos que garantam uma ampla cobertura vacinal.Um exemplo disso é a reincidência de doenças como sarampo e poliomielite, que poderiam ser evitadas com medidas preventivas a toda a população. Dessa maneira, tal negligência contribui com uma maior disseminação de patologias, bem como corrobora com a precária situação da saúde pública.

Outrossim, destaca-se a falta de informação social como impulsionador da problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que muitas pessoas, por não conhecerem os graves riscos que a não imunização pode causar, negligenciam essa prevenção e acabam reduzindo a segurança da população como um todo. Além disso, a disseminação de notícias falsas que associam a vacina ao ato de manifestar patologias interferem diretamente, por exemplo, na escolha dos pais de levarem seus filhos para se vacinar. Nesse sentido, tem-se uma preocupante potencialização do movimento antivacina e, consequentemente, uma população mais suscetível e vulnerável.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem á construção de um mundo melhor. Logo, a Mídia em parceria com às instituições educacionais deve deliberar acerca desse problema haja vista, a forte influência que exercem na população através de debates elucidativos, tanto nas redes sociais e demais veículos de comunicação, como nas salas de aulas, com o fito de esclarecer a importância da vacinação, além de ratificar seus riscos. Ademais, os órgãos governamentais deve investir em recursos de imunização que abranjam todas as localidades, sobretudo as regiões mais remotas dos países, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva realidade das sombras, assim como na alegoria de Platão