Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 19/06/2020

Vacina é um mecanismo biológico de imunização que inocula partes ou até mesmo o patógeno enfraquecido para ativar o sistema imunológico da pessoa e proteger contra determinada doença. Entretanto, mesmo sendo de grande importância, as campanhas de vacinação no Brasil estão cobrindo um número cada vez menor de indivíduos, fato que precisa ser combatido para evitar surtos epidemiológicos. Dentre os fatores que contribuem para a redução da vacinação, estão a negligência do Estado e ausência de informação, que estimulam o surgimento de movimentos anti-intelectuais.

Primeiramente, é importante destacar que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, para que uma vacina seja eficaz, é preciso que 95% do público-alvo seja vacinado, e 1,5 milhões de mortes poderiam ser evitadas por ano se isso acontecesse. No Brasil, o governo ineficiente dificulta o cumprimento dessa meta. Por exemplo, há baixa distribuição de vacinas para áreas remotas, como comunidades indígenas no Amazonas, que estão em contato frequente com a população branca e, por isso, podem estar sujeitos a transmissão de doenças. Ademais, ainda existe uma carteira de vacinação física, que os cidadão normalmente perdem e deixam de ter um controle sobre sua saúde, e não sabem que vacinas tomaram ou deixaram de tomar, dificultando o combate de doenças.

Além disso, outro fator que estimula a população a deixar de se vacinar ou vacinar seus filhos é o movimento antivacina. Essa ideia anticiência surgiu em 1998, quando um médico britânico chamado Andrew Wakefield fraudou um estudo no qual afirmava que a vacina tríplice viral provocava autismo. No entanto, mesmo o trabalho sendo comprovadamente falso, esse pensamento negacionista de que vacina é ruim ganhou muita força e hoje é um grande problema. Isso porque, devido à ausência de circulação de estudos científicos e pouquíssimas campanhas publicitárias informativas, as pessoas fundamentam suas ideias em notícias falsas e conspiratórias, que desinformam ao afirmar que vacinas provocam outras doenças, matam ou até possuem microchips para controlar as pessoas.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar o problema. É imprescindível que o governo invista em campanhas publicitárias massivas através da grande mídia para informar e conscientizar o povo sobre a importância da vacina, explicando sobre sua produção e atuação no organismo no intuito de promover conhecimento. Além disso, é fundamental que o Ministério da Saúde desenvolva um projeto de vacinação nacional, no qual inclua barcos e veículos adaptados capazes de chegarem em comunidades afastadas de centros de saúde. Dessa forma, com a desconstrução de movimentos antivacina e um Estado que assegure direitos básicos para sua população, será possível garantir uma vacinação que integra todos os indivíduos e promova harmonia social.