Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 23/06/2020

No Brasil, as vacinas da primeira infância são garantidas pelo poder público, visando a erradicação de doenças que assolam uma determinada região. Entretanto, a cobertura vacinal é um problema a ser vencido. Tal fenômeno ocorre devido à desinformação de pais, mães e responsáveis levando-os a fazer análises superficiais das situações relacionadas à saúde pública e, ao mesmo tempo, o surgimento de grupos antivacina, que se fortalecem, muitas vezes, disseminando informações distorcidas e descontextualizadas pela internet.

Tal desinformação não é recente na história brasileira. No ano de 1904, o Rio de Janeiro foi palco de uma rebelião urbana. A obrigatoriedade da vacina e o desconhecimento sobre seu funcionamento, desencadeou a Revolta da Vacina, na qual a população se negou a aceitar a campanha de vacinação desenvolvida pelo médico e sanitarista Oswaldo Cruz. A falta de informação dificulta o controle de doenças, uma vez que por não conhecer as consequências da não imunização, muitas pessoas negam a prevenção, o que interfere diretamente nas camadas mais vulneráveis. A exemplo disso existe o sarampo, que havia sido erradicado, mas voltou a apresentar muitos casos no Brasil, inclusive fatais, pois a sua vacina foi associada ao espectro autismo.

Ademais, o fortalecimento de grupos antivacina, responsáveis por desinformar a população acerca da imunização agrava o problema, recentemente no jornal de ciências da Universidade de São Paulo declarou que estes grupos por meio das redes sociais, espalham falácias sobre a vacinação, tais como efeitos colaterais inexistentes e relatos de que essas substâncias geram outras síndromes e outras complicações. Essas falsas declarações interferem na vacinação das crianças, resultando na carência de imunização e sobrecarregando o sistema de saúde com doenças que, em tese, já estavam erradicadas.

Portanto, depreende-se que é necessária a ampliação da cobertura vacinal, tal ação deve ocorrer por intermédio de formações presenciais ou a distância por “lives” e debates virtuais, sobre os reais efeitos das vacinas, como são criadas, testadas, e aprovadas até chegar ao público final, para transformar opiniões, garantir uma formação crítica e reflexiva dos responsáveis e formar multiplicadores. Cabe aos médicos de família, enfermeiros, e representes técnicos dos postos de saúde, realizar e fiscalizar ações, bem como o Movimento Vacina Brasil que busca reverter o quadro de queda das coberturas vacinais no país registrado nos últimos anos. Sendo assim, vale ressaltar que a formação é importante, pois a vacinação é um compromisso social e democrático, por isso as decisões individuais devem ser bem pensadas, pois as consequências são coletivas.