Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 26/06/2020
No inicio do século XX, tivemos uma manifestação popular, a Revolta da Vacina. Na qual os cidadãos se recusaram a aceitar a lei da vacina obrigatória, imposta pelo Ministério da Saúde. Alem disso os agentes da saúde entravam nas casas dos cidadãos e os vacinavam a força, tal ato era visto pela sociedade como invasão de privacidade e um ato de autoridade. Nos dias atuais o cenário brasileiro também conta com desafios relacionados à aplicação da vacina, o que acaba comprometendo a vivência coletiva. É importante, portanto, analisar a problemática tanto quanto os fatores de ordem governamental quanto os de ordem social.
Em primeira analise, é evidente o descaso estatal diante da atual crise de vacinação, sendo fundamental na consolidação do problema. Isso porque, apesar da saúde ser um pilar garantido constitucionalmente, o Estado falha ao não priorizar investimentos em campanhas de vacinação e em recursos que garantam uma ampla cobertura vacinal. Contudo é valido destacar que pela perspectiva filosófica do contrato social de Rosseau, os indivíduos abrem mão de parte de sua liberdade individual para o Estado, que por sua vez, deve fornecer serviços para garantir a harmonia social. Entretanto, percebe-se que no Brasil, esse contrato não é efetivado, tendo em vista que os estado não cumpre as expectativas geradas.
Em segunda analise, vale ressaltar que a falta de informação social é outro fator que dificulta o controle de doenças, uma vez que muitas pessoas, por não conhecerem os graves riscos que a não imunização pode causar, negligenciam essa prevenção e acabam reduzindo a segurança da população como um todo. Além disso, a disseminação de notícias falsas que associam a vacina ao ato de manifestar patologias interferem diretamente, por exemplo, na escolha dos pais de levarem seus filhos para se vacinar. Isso afeta, sobretudo, camadas mais vulneráveis da população, que não entendem as consequências da falta de imunização preventiva. Sob esse viés, o filósofo Émile Durkheim afirma que a sociedade é como um corpo biológico, onde as partes devem interagir para garantir a coesão e a igualdade. Dessa forma, sem o engajamento de todas as camadas sociais, o país pode voltar a sofrer com os efeitos ocasionados por doenças graves, como o sarampo, a poliomielite e a rubéola.
Portanto, o Ministério da saúde é responsável pela emancipação da população quanto a vacinação, com o intuito de deixar as pessoas cientes dos riscos de não vacinar-se. Isso pode ser feito pela abordagem temática nos postos de saúde e pelo MEC em formas de palestras, e por visitas domiciliares de fiscais da saúde. Ademais, as escolas devem, com apoio do Estado, promoverem a vacinação em colégios com aviso prévio e autoridade dos pais.