Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 26/06/2020
No Brasil, as vacinas da primeira infância são garantidas pelo poder público, com o intuito de erradicar doenças que assolam uma determinada região. Entretanto, a cobertura vacinal é um problema a ser vencido. Tal fenômeno ocorre devido à desinformação de pais, mães e responsáveis, levando-os a fazer análises superficiais das situações relacionadas à saúde pública e, ao mesmo tempo, o surgimento de grupos antivacina, que se fortalecem, muitas vezes, por meio da disseminação de informações distorcidas e descontextualizadas pela internet.
Além disso, tal desinformação não é recente na história brasileira. No ano de 1904, o Rio de Janeiro foi palco de uma rebelião urbana. A obrigatoriedade da vacina e o desconhecimento sobre seu funcionamento desencadeou a Revolta da Vacina, na qual a população se negou a aceitar a campanha de vacinação desenvolvida por Oswaldo Cruz, um médico e sanitarista brasileiro. Incontestavelmente, a falta de informação dificulta o controle de doenças, uma vez que, por não conhecer as consequências da não imunização, muitas pessoas negam a prevenção, o que interfere diretamente nas camadas mais vulneráveis. Assim como o sarampo, que havia sido erradicado, mas voltou a apresentar muitos casos no Brasil, inclusive fatais, pois a sua vacina foi associada ao espectro autismo.
Ademais, o fortalecimento de grupos antivacina responsáveis por desinformar a população acerca da imunização agrava o problema. Recentemente, o jornal de ciências da Universidade de São Paulo declarou que estes grupos, por meio das redes sociais, espalham falácias sobre a vacinação, tais como efeitos colaterais inexistentes e relatos de que essas substâncias geram síndromes e complicações. Por conseguinte, essas falsas declarações interferem na vacinação das crianças, o que leva à carência de imunização e sobrecarrega o sistema de saúde com doenças que, em tese, já estavam erradicadas. Portanto, depreende-se que é necessária a ampliação da cobertura vacinal. Tal ação deve ocorrer por intermédio de formações presenciais ou a distância por “lives” e debates virtuais sobre os reais efeitos das vacinas, como são criadas, testadas, e aprovadas até chegar ao público final, para transformar opiniões, garantir uma formação crítica e reflexiva dos responsáveis e formar multiplicadores. E, ainda, caberá aos médicos de família, enfermeiros, e representes técnicos dos postos de saúde realizar e fiscalizar ações, bem como o Movimento Vacina Brasil, que busca reverter o quadro de queda das coberturas vacinais no país registrado nos últimos anos. Logo, vale ressaltar a formação é importante, pois a vacinação é um compromisso social e democrático, por isso as decisões individuais devem ser bem pensadas, visto que as consequências são coletivas.