Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 07/07/2020
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil enfrentou novamente um surto de Sarampo em alguns estados no ano de 2019. Mas, tendo em vista que essa doença já havia sido erradicada do país, por que novos casos voltaram a aparecer? A resposta é simples: a falta de vacinação. Esse cenário nefasto ocorre tanto pela recusa da medicação, em razão da falta conhecimento por parte da população, quanto pelo desabastecimento das vacinas no sistema público de saúde. Logo, torna-se imperiosa a análise desses fatores a fim de mitigar os desafios para a garantia da vacinação brasileira.
Em primeiro plano, é válido destacar que, no início do século XX, ocorreu no Rio de Janeiro a chamada “Revolta da Vacina”, na qual a população carioca recusou-se a receber o antiviral varíolo por não saber do que se tratava o fármaco. Em decorrência disso, a prefeitura começou a vacinar a população à força, o que ocasionou no motim popular. De maneira análoga ao fato histórico, é possível destacar o ressurgimento de movimentos antivacinação no contexto atual devido o questionamento científico desses medicamentos, pois, por falta de informações, muitos acreditam que os mesmos podem trazer malefícios para a saúde. Dessa forma, com a oposição do recebimento da vacina, doenças já extintas podem se alastrar novamente no território nacional, como o caso supracitado do Sarampo.
Ademais, é indubitável que o desabastecimento de vacinas no sistema público de saúde esteja entre as causas da problemática. Essa situação retrógrada ocorre em virtude da limitação dos recursos financeiros destinados às Unidades Básicas de Saúde (UBS) das cidades brasileiras. Segundo a Constituição Federal Brasileira de 1988, todos os cidadãos têm direito à saúde, porém, vê-se um descumprimento dessa garantia a medida que muitos são privados do direito à vacinação, em face da insuficiência estatal. Desse modo, são necessárias medidas para reverter tal conjuntura.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, por meio da mídia, a promoção de campanhas publicitárias que busquem informar, de maneira rápida e didática, a atuação da vacina no organismo do indivíduo, como também procurem enfatizar as consequências que o não recebimento da imunização pode acarretar na saúde pública, tendo assim, como finalidade, a conscientização popular acerca da importância da vacinação. Além disso, é dever do Governo Federal realizar um maior repasse de investimentos públicos às UBSs, por meio de emenda constitucional que crie um fundo monetário específico para o combate de doenças preveníveis no Brasil, de modo que, não ocorra mais a falta de medicamentos essenciais, como os antivirais, para a população. Só assim, espera-se que surtos epidêmicos, como o de Sarampo em 2019, não venham mais a ocorrer no gigante tupiniquim.