Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 13/08/2020

No final do século XIX, o Positivismo, corrente sociológica que defendia a explicação do mundo e dos fenômenos sociais através da ciência imperava. Hoje, porém, vive-se a “era” do descredito à ciência, em que opiniões são mais importantes. Isso, infelizmente tem refletido na saúde pública, visto que a inexistência de um processo educativo crítico, aliado ao movimento anticientificista tem gerado uma onda de não vacinação.

Em primeiro lugar, a educação expositiva nas escolas colabora com a disseminação do medo a vacina. Isto é, segundo Paulo Freire, a forma de educar tradicional resulta em cópias de comportamento de forma acrítica. Assim, ela ao invés de evitar que os indivíduos compartilhem fake news ela potencializa essa prática, pois não incentiva os cidadãos a receberem as informações de forma crítica. E tendo em vista que a principal forma de espalhar pânico quanto às vacinas é através de notícias falsas sobre seus efeitos colaterais, é necessário uma mudança na maneira de transmitir conhecimentos acerca da saúde pública.

Ademais, esse pânico irracional aliado ao movimento anticientificista resulta em uma crise de não vacinação. Assim como no início do século XX, ocorreu a Revolta da Vacina por falta de distribuição de informações a população e medo, hoje, por causa de fake news e creditação de discursos individuais, como o de Olavo de Carvalho, influenciador ideológico, que diz não ter vacinado os filhos e eles estão bem, em detrimento de evidências científicas tem como consequência uma sociedade com iminência de reaparecimento de doenças já erradicadas.

Portanto, é necessário medidas para amenizar os impactos das notícias falsas e do movimento anti-ciência. Dessa forma, a luta é pedagógica, O Ministério da Educação juntamente com as Secretarias Estaduais devem incluir na grade curricular do ensino médio um projeto de saúde comunitária , em que através de palestras, atividades extracurriculares e do protagonismo estudantil, seja possível fazer uma amostra para toda a comunidade sobre a importância da vacina e dos outros mecanismos para a saúde de toda a sociedade, combatendo assim o  acriticismo e a não valorização da ciência, tornando o positivismo realidade novamente.