Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 15/07/2020
Em 1904, no Brasil, houve a Revolta da Vacina, cujo intento era reivindicar ações estatais de revitalização urbana e de vacinação obrigatória imposta pelo médico Oswaldo Cruz sem concordância popular. Voltando-se à contemporaneidade, é cognoscível que esse projeto governamental foi essencial para a formação do Programa Nacional Imunizante (PNI), entretanto, é perceptível que há séculos existe uma segregação entre o governo brasileiro e a população, o que minora o diálogo entre essas classes, fomentando a dificuldade estatal de expandir programas de imunização para todo território nacional e elevando o gama crescente de informações falsas acerca das vacinas no meios digitais.
Vale ressaltar, de início, que, no Brasil, houve nos últimos cinco anos um decaimento nos índices de vacinação nas regiões Norte e Nordeste do país. Nesse prisma, um levantamento feito pelo Programa Nacional de Imunização, publicado em 2016, cerca de 15% foi a redução das vacinas de poliomelite distribuidas nos anos de 2015 e 2016 e, aproximadamente, 28,6% das comunidades ribeirinhas não têm acesso a campanhas de vacinação anualmente. À vista disso, é notório que existe um déficit na difusão de projetos de vacinação no território nacional que, em compêndio, reduz a expectativa de vida populacional e propicia o reaparecimento de doenças que já estão erradicadas a anos.
Em segundo plano, nota-se que houve na última década um crescimento exponencial de " fake news" acerca das vacinas nas redes sociais. Nesse viés, a ex-coordenadora do PNI, Carla Domingues aponta as falsas informações repassadas em conjuntura com a erradicação de patógenos como os principais desafios a serem enfrentados pelo Estado brasileiro, uma vez que a população passa a tratar com negligência essas doenças e a desacreditar da funcionalidade das vacinas. Nesse espectro, é compreensível que a desinformação aliada a facilidade de a propaga-la traz nocivos efeitos para a comunidade moderna que, de modo geral, ainda carece de conhecimento a respeito dessa temática e padece do distanciamento entre governo e sociedade civil.
Em suma, medidas são essenciais para ampliar o programa de vacinação estatal em todo território. Primordialmente, o Ministério da Saúde deve realizar um aporte financeiro em todos Programas de Saúde Familiar do Brasil, na qual a finalidade é possibilitar a expansão dos programas imunizantes nas áreas de mais difícil acesso, cujo objetivo é promover a informação acerca da importância das vacinações na sociedade e reduzir os índices de doenças ocasionados pela falta da vacinação. Ademais, ONGs, engajadas em questões sociais, devem promover lives com médicos e sociólogos, com o desígnio de articular o conhecimento e conscientizar a população sobre a problemática, visando o aumento no IDH nacional. Sendo assim, ações desse tipo garantirão um futuro mais próspero e justo.