Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 25/07/2020
A Revolta da Vacina, ocorrida durante o período da República Velha, teve entre um dos de seus motivos o desconhecimento da população em relação aos benefícios da vacinação. Apesar de mais de um século ter se passado, a problemática reintroduz-se ao cenário brasileiro, o que compromete imensamente a vivência coletiva. Nesse contexto, seja pelo questionamento da eficácia, seja pelo excesso de “fake news” acerca do tema, os desafios para garantir a vacinação dos cidadãos brasileiros representa um grande risco à saúde pública e convém ser analisada.
Primeiramente, é primordial destacar que a vacina possui um importante papel no controle de muitas doenças, inclusive, na erradicação de algumas, como é o caso da varíola. Entretanto, em virtude da falta de informação acerca da eficiência e da necessidade da vacinação, a OMS (Organização Mundial de Saúde) alerta a população sobre o retorno de muitas doenças, antes consideradas erradicadas. Como principal exemplo desta nova conjuntura, pode-se citar o surto de sarampo no Brasil, ocorrido em 2018, o qual indica que há um número considerável de pessoas que não estão se vacinando. Desta feita, é evidente que, aqueles que aderem ao movimento antivacina, por acreditarem na sua ineficácia, trazem riscos, não só a própria saúde, como também para toda a sociedade.
Além disso, a forte influência das “fake news” sobre esse assunto contribui enormemente para a continuidade desse problema. Isso acontece porque, com o crescimento do uso dos meios de comunicação, e da rapidez com que as informações se propagam, as notícias falsas são utilizadas como uma forma de induzir ideias e opiniões nos indivíduos, moldando, assim, o seu comportamento. Consequentemente, os brasileiros encontram-se constantemente bombardeados por essas notícias que pessoas sem nenhuma credibilidade criaram, o que contribui muito para a sua total alienação. Tal realidade corrobora com a dificuldade do governo em garantir a vacinação dos cidadãos do país, uma vez que, nas redes sociais, são disseminadas teorias da conspiração sobre o mal das vacinas: causam autismo, transmitem doenças, servem de instrumento político para o controle da população, contém toxinas, entre outras.
Portanto, é fundamental que medidas sejam tomadas. Cabe ao Governo Federal, enquanto instância máxima de administração executiva, em parceria com o poder midiático, investir em propagandas informacionais acerca das vacinas, incluindo nelas todos os benefícios, os reais efeitos colaterais e os riscos de não as tomar, por meio dos veículos de comunicação, a fim de proporcionar a plena vacinação populacional e, por conseguinte, o bem-estar de todos. E, é somente desse jeito, que poder-se-á impedir que uma nova Revolta da Vacina volte a ocorrer.