Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 31/07/2020
Durante o período conhecido como Idade Média, o mundo, sobretudo a Europa, enfrentou a chegada da Peste negra – doença que dizimou cerca de um terço da população vigente à época. Contudo, não apenas no medievo, mas também na contemporaneidade, faz-se necessário o desenvolvimento e a distribuição de mecanismos para o combate às enfermidades no Brasil – como a vacinação -, a fim de garantir a saúde da sociedade. Assim, para que este cenário seja estabelecido, entraves devem ser resolvidos, como a falta de informação quanto à importância da vacina e sua inacessibilidade por camadas marginalizadas do corpo social.
Inicialmente, é válido ressaltar a o papel dos meios de propagação das informações a respeito da necessidade de vacinação no Brasil. Exemplo disso foi visto durante a Revolta da Vacina, fase inicial da república brasileira, na qual uma parcela da população se recusava a vacinar-se por achar que resultaria em malefícios à saúde. Nessa perspectiva, nota-se que o Estado, por não promover veículos de disseminação da informação eficientes, põe em risco a saúde de toda a sociedade, uma vez que, no mundo globalizado, a internet é a principal ferramenta de interação e comunicação dos usuários que desejam se informar. Desse modo, aqueles que não são informados e vacinados se tornam transmissores dos organismos patológicos, fato que carece de uma intervenção estatal.
Ademais, outra problemática a ser mencionada é a restrição da vacinação àqueles que possuem poderio econômico. Isto é, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, a normatização de uma atitude ruim por parte de uma entidade é vista como banalização do mal. Nessa óptica, tem-se que, no contexto sanitário, o Estado comete tal banalização, visto que, por não investir em setores da saúde pública, impede o acesso à vacina por aqueles que não possuem capital para arcar com seus custos exacerbados. Logo, há uma inadimplência constitucional no que tange ao direito à saúde, uma vez que os cuidados preventivos contra enfermidades se tornam restritos a uma parcela da população.
Portanto, é imprescindível que medidas cabíveis sejam tomadas para a dissolução dessa conjuntura. Para tal, o Ministério da Saúde deve, por intermédio de capital do Tribunal de Contas da União, criar unidades móveis de vacinação nas áreas periféricas, a fim de democratizar seu acesso e proteger o corpo social de enfermidades. Essas devem ser postos de atendimento médico que, em horários e dias específicos, se localizariam em pontos diferentes das zonas marginalizadas da sociedade, levando, não apenas a vacina, como também mecanismos para melhor salubridade da população – como panfletos informativos sobre as medidas de biossegurança contra patologias da atualidade. Por conseguinte, a vacinação da sociedade brasileira seria garantida pelas instituições governamentais responsáveis.