Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 20/08/2020
Em 1973, o Brasil criou o Programa Nacional de Imunização (PNI), que tinha como objetivo aumentar a cobertura vacinal no país.Atualmente, o programa enfrenta desafios paramanter a erradicação de algumas doenças, como o tétano neonatal, e conter novos surtos de doenças antes extintas, como o sarampo e a poliomelite.Entretanto, a dificuldade de acesso às vacinas em áreas remotas e o crescimento da disseminação de fake news sobre a eficácia da imunização são empecilhos para o progresso da vacinação.É necessário,portanto, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que esses erros sejam sanados.
A priori, pode-se apontar como causa do dificultoso acesso às Unidades Básicas de Saúde e, com isso, às vacinas pela população, sobretudo ribeirinha do Norte do país, do Sertão Nordestino e das áreas rurais de outras localidades, a displicência estatal frente a seguridade do direito de acesso à saúde, previsto no artigo sexto da Constituição Federal. Isso,por consequência,além de enfraquecer o sistema democrático,já que esse direito de todos os brasileiros não é assegurado, contribui para que as metas de vacinação não sejam atingidas.Esse contexto é comprovado à medida que,segundo o Datasus, das 10 vacinas obrigatórias até o primeiro ano de vida,9 estão abaixo do recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) no Brasil.
A posteriori, convém ressaltar a disseminação de fake news acerca das vacinas,como a publicação,em 1998, na revista científica “The Lancet”, da tese defendida por Andrew Wakefield sobre a vacina tríplice viral induzir o autismo. Nesse contexto, movimentos antivacinas emergiram no Brasil e no mundo, na tentativa de convencer as pessoas a não tomarem suas doses, devido à “duvidosa segurança” oferecida por esse tipo de imunização.Isso,atualmente,por conseguinte, provoca a hesitação na busca por vacinação por parte da população brasileira.Além disso, há a contribuição para o descrédito da ciência, que, apesar de seguir os protocolos de segurança da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e desmistificar as inseguranças transmitidas no que cerne à vacinação,por meio de sequências de comprovações científicas,recebe insultos desses grupos nas redes sociais.
Diante disso, torna-se evidente a necessidade de um debate entre Estado e sociedade. Cabe,portanto, ao Ministério da Saúde a melhoria da gestão e distribuição de vacinas,por meio da contratação de gestores especialistas em saúde e remanejamento, a fim de que as áreas remotas dos país sejam vacinadas; e ao MEC a divulgação de fake news sobre vacinas, junto à sua refutação, nas redes sociais e na televisão,com o objetivo de encorajar a população a buscar a imunização e melhor creditar a ciência.Assim, o Brasil será íntegro e saudável.