Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 25/08/2020
Em meados de 1904, houve um protesto popular, a Revolta da Vacina, na qual os cidadãos se recusaram a aceitar a lei da vacina obrigatória, imposta pelo médico e sanitarista Oswaldo Cruz. Os agentes de saúde invadiam as casas das pessoas e as vacinavam por obrigação. Tal ato era visto pela sociedade como violação de privacidade e um ato de autoridade. Nos dias atuais, a vacinação é uma escolha livre de cada indivíduo, entretanto a quantidade da cobertura vacinal vem diminuindo gradativamente a cada ano no país. Já foi provado ao longo das décadas, que a vacinação protege povos em volume. Portanto, sua cobertura declinando acende um alerta, e alterações são imprescindíveis para resolver a questão.
De antemão, a maior explicação da redução drástica do índice de imunização no Brasil é a rejeição de diversos pais a vacinar seus filhos. O Ministério da Saúde comunicou que o número de crianças abaixo de cinco anos que não são vacinadas acendeu um sinal vermelho e que elas são a maior preocupação neste momento. Vale ressaltar, que esse não é o único pretexto, o desabastecimento de vacinas essenciais e cidades com poucos mecanismos para gerir programas de imunização também entram nesse cenário. Cada cidadão que não é vacinado, está exposto a contagiar-se de uma doença grave e não ser capaz de eliminá-la, visto que sem a vacinação o seu corpo é inepto a originar anticorpos para combatê-la, colocando em risco a si mesmo e pessoas de seu espaço social.
Em segundo lugar, é pertinente trazer o discurso do filósofo Francis Bacon, disseminador da teoria de que as condutas, assim como as doenças, são contagiosas. Portanto, a partir do instante em que uma minoria começa a rejeitar um número grande de vacinas, por se tratar de um comportamento literalmente contagioso pela exposição a doenças sérias, essa minoria pode virar um grande número. E conduzir o Brasil e o mundo, de volta, a momentos da história em que fomos derrotados por epidemias.
Por conseguinte, providências são indispensáveis para modificar esse cenário, voltando as grandes campanhas de vacinação, como exemplo o famoso “Zé Gotinha”. O Ministério da Saúde, juntamente com o MEC, deve elaborar palestras para estudantes do ensino médio, por meio de conversações com vítimas de doenças graves ou pessoas que experienciaram épocas de epidemia no Brasil. Tais discussões devem ser web conferenciadas nas redes sociais, com o propósito de trazer mais consciência e conhecimento sobre o assunto, e, claro, atingir um público maior. É interessante usar a mídia como uma forma de informar os responsáveis sobre os benefícios da vacinação e por fim mostrar que é preciso que a sociedade brasileira olhe de maneira mais otimista e aberta para o assunto.