Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 05/10/2020

Uma vacina consiste, basicamente, de um microorganismo atenuado ou morto sendo inserido em uma pessoa, com o intuito de que o seu sistema imunológico combata esse invasor e prolifere células de memória, capazes de produzir anticorpos mais rapidamente em caso de um futuro contato. Contudo, muitos ainda não têm acesso a esse que é um dos principais meios de proteção contra doenças. Sob tal ótica, a vacinação é de de suma importância para a saúde dos brasileiros, todavia a ineficiência do Estado e a desinformação atrapalham na disseminação desse direito.

Inicialmente, o poder público não tem promovido, generalizadamente, a forma mais eficiente de prevenção aos cidadãos. De acordo com o artigo 196 da Constituição Federal, a saúde é um direito de todos e obrigação do Estado, o qual deve garantir o acesso de maneira igualitária aos meios de tratamento e de diminuição do risco de contágio. Diante disso, a realidade parece distanciar-se do plano jurídico, visto que as campanhas e locais para a vacinação gratuitas não conseguem chegar aos mais de 200 milhões de brasileiros, porquanto há uma falta de investimento em locais distantes dos centros urbanos. Nesse sentido, a parcela mais vulnerável da população, como trabalhadores rurais e indígenas, tem o seu bem-estar prejudicado devido a uma falha dos órgãos governamentais.

Outrossim, ideias incorretas sobre o funcionamento da inoculação atrapalham na adesão da população. Por exemplo, durante o período da Primeira República, ocorreu a Revolta da Vacina, que foi um movimento da população contra a obrigatoriedade de tomar a antivariólica, causado pelo caráter autoritário do governo e pela falta de informações sobre os seus benefícios. Dessa forma, na contemporaneidade, a proliferação, nas redes sociais, de notícias falsas que atribuem  pontos negativos, como morte ou doenças, à vacinação contribui para o crescimento de uma visão negativa a seu respeito. Dessarte, há um aumento do receio dos pais de que os filhos venham a se prejudicar e, consequentemente, diminui o número de pessoas que reivindicam o seu direito à saúde.

É mister, portanto, tomar medidas que promovam uma maior efetivação do tratamento preventivo previsto no artigo 196 da Constituição “Cidadã”. Logo, cabe ao Ministério da Saúde levar a vacinação aos brasileiros que moram distantes de lugares com hospitais ou posto de saúde, por meio da criação de um programa que leve profissionais sanitários, que serão responsáveis pela inoculação, até indígenas, ribeirinhos e populações rurais. Ademais, será feita uma parceria com as mídias sociais para que elas publiquem, regularmente, conteúdos desmentindo as “fake news” mais comuns sobre o tema. Espera-se, assim, democratizar o acesso à saúde para os mais vulneráveis e combater a desinformação.

Desinformação

Antivacina

Carteira de vacinação digital