Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 04/09/2020

Nos últimos tempos, com a corrida dos países desenvolvidos para ser o desenvolvedor pioneiro da vacina que colocará fim à pandemia do novo coronavírus, a problemática da imunização coletiva chama atenção devido a seus desafios de implementação. Permeando desde a ascensão dos movimentos de “anti-vaxxers” à precariedade do sistema de saúde público brasileiro, é preciso que a sociedade civil ponha em pauta a questão da vacinação para enfrentar tais problemas de frente.

A fim de dilucidar por que a imunização é tópico tão complexo no Brasil, convém-se destrinchá-la em duas vertentes: a ideológica e a logística. No que tange à primeira, sabe-se que, hodiernamente, há uma forte tendência ao negacionismo científico. Este pode ser atribuído à polarização política e à disseminação cada vez maior de fake news pelas redes sociais. À semelhança de 1984, aquela pode ser comparada aos “Dois Minutos de Ódio”, nos quais as personagens da obra se voltam contra o inimigo manufaturado com fúria, que no mundo real, é qualquer um que contradiz convicções do indivíduo, não importando se o “antagonista” é a Ciência. Ademais, explica-se o segundo fator, que, no livro de Orwell, é representado pela manipulação de dados no Ministério da “Verdade”. No mundo real, o obscurantista manipula dados ou fabrica histórias a fim de atacar o seu inimigo. Assim, movimentos anti-vacinação emergem a partir de dados falsos sobre a eficácia e efeitos colaterais de vacinas e ganham cada vez mais força entre a população, criando um verdadeiro desafio para as autoridades.

Em adendo, para tratar da questão logística, é crucial atestar que o sistema de saúde público se demonstra incapaz de lidar com a questão da imunização de forma satisfatória. Embora considerada compulsória, em um país de dimensões continentais com graves desigualdades regionais, sabe-se que municípios do interior, em especial, no Norte e Nordeste, onde a pobreza é mais acentuada, nem sempre recebem os recursos necessários ou possuem funcionários especializados para lidar com a situação. Além disso, sabe-se que os desvios de verbas e a máquina burocrática sob os quais operam os postos de saúde e hospitais acabam por agravar ainda mais o quadro de precariedade, pois de nada adianta que haja recursos quando estes não são repassados de forma homogênea pelo país.

Em suma, mediante ao elencado, a fim de mitigar tal situação, é capital que o Ministério da Saúde, responsável pela questão da vacinação, combata tanto à desinformação quanto à corrupção por meio de uma PPP com a grande mídia, que veicule campanhas de conscientização em propagandas na televisão ou em redes sociais, e da realização de auditorias realizadas supervisionadas pelos próprios moradores da área coberta pelo posto de saúde a fim de fortalecer a fiscalização. Apenas assim, no futuro, o país estará vacinado não só contra o coronavírus, mas também contra a ignorância.