Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 08/09/2020
Ao final do século XX, algumas epidemias importantes foram controladas, por ação direta dos programas de controle ou pela evolução da sociedade, como urbanização, saneamento e melhoria das condições de vida. Não obstante, em pleno século XXI, é notório vários empecilhos para assegurar a vacinação de todos brasileiros, seja pela insuficiência de políticas públicas, seja pela desinformação de setores da população. Assim, faz-se necessário que o Estado e a sociedade civil adotem medidas urgentes para reverter o quadro.
Diante desse cenário, a escassez de verbas destinadas pelo Estado para a estrutura qualificada de postos de saúde e hospitais, para a compra de vacinas e para ações de conscientização da população tem dificultado a imunização em escala nacional. Isso afeta, sobretudo, a qualidade de vida das pessoas e contribui, consequentemente, para a pressão sobre o sistema público de saúde. Entretanto, essa realidade contradiz com o artigo 6º da Constituição Federal Brasileira, segundo o qual, o Estado tem o dever de garantir saúde a todo cidadão brasileiro. Dessa forma, sem políticas públicas eficazes, as falhas governamentais comprometerá o acesso da população à vacinação.
Ademais, a desinformação, principalmente, das pessoas que se encontram na margem da sociedade, que não entendem as consequências da falta de vacinação preventiva, é determinante para que boa parte da população deixe de se vacinar e contribua diretamente para o continuísmo desse quadro alarmante. De forma análoga, em 1904, na Revolta da Vacina, a população, por não compreenderem os benefícios da vacina, não se engajaram no processo de imunização e acabaram por comprometer o combate à varíola. Dessarte, a ausência da participação de todas as camadas sociais, favorece diretamente o adoecimento constante da população e a ineficácia de campanhas de vacinação.
Portanto, é imprescindível que medidas eficazes sejam tomadas no sentido de resolver a problemática. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde, promover a melhoria do sistema público de saúde, por intermédio de investimentos direcionados às unidades básicas e às campanhas de vacinação, principalmente, em áreas mais pobres do país, com o intuito de ampliar a cobertura nacional de imunização. Outrossim, as prefeituras e a mídia devem proporcionar debates periódicos e eventos sociais, por intermédio de campanhas de caráter popular e da divulgação de cartilhas informativas, a fim de divulgar os benefícios das vacinas, por exemplo, a partir de dados estatísticos, que comprovem a redução do número de doenças com o uso de vacinas. Sendo assim, o número de pessoas vacinadas ampliará, a população viverá em consonância com a Carta Magna vigente e longe do cenário vivenciado em 1904, na Revolta da Vacina.