Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 08/09/2020

O início do século XX, no Brasil, foi marcado por uma série de reformas e projetos sanitaristas, promovidos pelo médico Oswaldo Cruz, que almejava combater doenças epidêmicas nas cidades, por meio da vacinação em massa. Todavia, mesmo com o desenvolvimento dos métodos de prevenção e os avanços na medicina, a reemergência de doenças tem se tornado progressiva e a cobertura vacinal da população, regressiva. Deve-se analisar, portanto, os movimentos anti-vacina e o desinteresse do Estado pela saúde como impulsionadores da problemática, no Brasil.

Convém salientar, primeiramente, o fortalecimento da resistência popular contra a vacinação. O avanço das tecnologias de comunicação influenciam na forma e na velocidade da disseminação de informações para a sociedade, muitas vezes sem veracidade científica, influenciando negativamente nos posicionamentos individuais, levando ao descuido pessoal na prevenção de doenças. Em 1904, a Revolta da Vacina evidenciou a negação popular da vacinação contra a varíola, doença infectocontagiosa. Por analogia, relaciona-se com as inúmeras correntes circulantes na sociedade atual, principalmente virtual, que afirmam que as vacinas podem causar impotência,  sobrecarga imunológica, ou conter o vírus do HIV, sendo prejudicial à saúde humana, fato sem fundamento comprovado. Dessa forma, criam-se grupos de resistência à vacinação dos brasileiros, baseados em “fake news”,  dificultando a imunização total da população.

Outrossim, ressalta-se a fragilidade do sistema de saúde brasileiro e o desinteresse dos governantes na questão pautada. A exemplo disso, o início do ano de 2018 foi marcado com a falta de vacinas da Febre Amarela na rede pública, verificando-se que a saúde para todos, garantida na Constituição Federal, deixou de ser preocupação e prioridade do Estado. Além disso, as situações pertinentes de negligência nos hospitais e o déficit de medicamentos e equipamentos de proteção, dificultam o combate às epidemias e endemias, contribuindo para a reemergência de doenças eliminadas anteriormente e perpetuando o sentimento de vulnerabilidade da população.

Diante dos fatos supracitados, é inegável que medidas sejam tomadas para garantir a vacinação dos brasileiros. O Ministério da Saúde deve promover a melhoria do sistema público de saúde, por intermédio de investimentos direcionados, fornecendo medicamentos e equipamentos de segurança suficientes, vistoriando os hospitais dentro das normas da medicina nacional e capacitando os profissionais da saúde, de modo a evitar casos de negligência. Atrelados à campanhas de imunização nacional e divulgação de informações verídicas,os tabus pré-estabelecidos serão quebrados e a cobertura nacional de vacinação será ampliada, contemplando todas as comunidades