Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 26/09/2020

No final da década de 1990, o então médico Andrew Wakefield publicou um artigo no qual relacionava a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, ao desenvolvimento de autismo em crianças. Posteriormente descobriu-se se tratar de um estudo forjado  que visava interesses econômicos, mas que pôs em questão a eficácia e a segurança das vacinas. Atualmente, observa-se ainda grande defasagem no conhecimento a respeito da importância da vacinação, que tem ocasionado a baixa cobertura vacinal, valor que indica a proporção do público alvo já vacinado, e o retorno de doenças até então controladas.

A princípio, é importante salientar que nos últimos anos a cobertura vacinal da população em geral apresentou queda significativa. Segundo dados do Ministério da Saúde, a vacina tríplice viral, citada anteriormente, obteve valores inferiores a 70% da meta nos últimos anos. Outro exemplo disso é a vacina contra febre amarela que, de acordo com o Programa Nacional de Imunização (PNI), apresentou valores ainda menores, de somente 40% nos últimos anos.

Em decorrência disso, nota-se o ressurgimento de doenças que já estavam controladas, como ocorreu em 2017 com a febre amarela e em 2018 com o sarampo, ano em que foram registrados mais de 10 mil casos da doença no Brasil, apenas dois anos após a conquista do certificado de erradicação da doença. Tal ocorrido demonstra o impacto que a não imunização pode acarretar sobre a sociedade.

Evidencia-se, portanto, que conhecer a importância da vacinação se torna imprescindível para aumentar as taxas de imunização e, por consequência, a queda nos índices de doenças imunopreveníveis. Tornando indispensável que o Ministério da Saúde aliado ao Ministério da Educação e à mídia, promova ações que visem conscientizar a população por meio de informativos veiculados nos principais meios de comunicação como as redes sociais e através de palestras em escolas. E além disso, a promoção de campanhas de vacinação em postos de saúde e escolas. Dessa forma, será possível não só reverter o cenário atual, como evitar que ele retorne.