Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 28/09/2020

A revolta da Vacina, em 1904, foi um movimento social que eclodiu no Rio de Janeiro, devido a forma com que ocorreu a campanha de vacinação para erradicar a varíola, realizada pelo médico sanitarista Oswald Cruz. Nesse sentido, a insatisfação teve como causa a falha de comunicação entre as autoridades governamentais e a população, visto que o Governo não informou sobre a doença e a importância da prevenção, apenas impôs a vacina como obrigatória. Não obstante ao lapso temporal, percebe-se a persistência da mentalidade deturpada perante o ato de vacinar. Porém, ainda é preciso superar a negligência governamental e a postura arcaica e desinformada dos cidadãos, que representam um impasse ao aumento da imunização no Brasil. É imperioso analisar, inicialmente, que de acordo com o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado, e deve ser garantida mediante políticas públicas de prevenção, como a vacinação. Entretanto, esse direito não é realmente assegurado, pois a forma de distribuição dessa prevenção é muito escassa e não atinge a todos os brasileiros, como aqueles que moram em regiões remotas e são privados de uma saúde de qualidade. Além disso, as campanhas de vacinação não são assíduas, são periódicas e, por isso, propiciam a não vacinação da população, o que causa a reemergência da doença. Prova disso são os dados relatados pelo G1, que apesar do sarampo ter sido eliminado do Brasil em 2016, a doença já reemergiu e, nesse ano de 2020, foi constatado uma morte no Rio de Janeiro, após 20 anos sem óbitos em decorrência dessa doença. Desse modo, medidas devem ser adotadas para minimizar esse óbice que atinge não só um indivíduo, mas todo o tecido social. É imprescindível ressaltar, ainda, que há muitos obstáculos socioculturais que é necessário contornar, afim de modificar essa visão deturpada das pessoas em relação à vacinação. Nesse contexto, o filósofo Pierre Lévy ressalta que a população vive em uma sociedade hiperconectada, em que há um excesso de informação e, em consequência, não há só fatos, mas também falácias que são disseminadas como verdades absolutas. Ora, Isso pode ser evidenciado pelo movimento antivacina –fortalecido pelas redes sociais– em que pessoas desinformadas acreditam nos mitos sobre a prevenção e proferem o discurso falacioso e ilusório de que as vacinas não auxiliam, mas prejudicam aqueles que fazem uso dessa medida profilática. Sendo assim, é necessário que o governo se posicione em relação a esses movimentos, dado que, até hoje, não houve nenhuma medida para desmistificar essa fake news. Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de mitigar os desafios para garantir a vacinação no Brasil. Assim sendo, é mister que o governo de cada Estado faça um mapeamento de todas as regiões e municípios que não têm acesso a vacina, por meio de visitas de assistentes sociais a esses locais, com o fito de aumentar as unidades móveis de imunização e incluir essa população segregada no seu direito à saúde de qualidade. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde, em consonância com as indústrias midiáticas, promoverem campanhas informativas acerca da importância da vacinação, veiculadas pelo rádio, televisão e redes sociais, de forma assídua e didática, com o objetivo de orientar a população acerca do papel fundamental da vacinação na prevenção de doenças. Dessa forma, movimentos sociais antivacina, como o ocorrido em 1904, não serão mais realidade no Brasil