Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 16/10/2020

Durante a República Velha, o Brasil testemunhou a Revolta da Vacina, movimento sustentado por notícias falsas em que seus integrantes se recusavam a receber vacinação no Rio de Janeiro. Hodiernamente, ainda existe brasileiros que acreditam que a vacina é um maleficio, fato que, indubitavelmente, acentua crises de saúde por todo o País. Outrossim, o despreparo diante de notícias falsas também serve de pilar para que estas se disseminem em uma sociedade pouco escolarizada, baseada em achismos e alienada. Sob essa óptica, faz-se imperioso apontar não somente a incompetência estatal, mas também a ineficácia educacional básica.

Nessa perspectiva, de acordo com a Constituição Cidadã elaborada em 1988, o brasileiro deve receber os benefícios da saúde asseguradas pelo Estado. No entanto, apesar da saúde ser um dos pilares da Constituição, as falhas campanhas de vacinação refletem no retorno de doenças como o sarampo e a poliomielite, patologias que poderiam ser evitadas com medidas preventivas de conhecimento do Estado. Além disso, a disseminação de doenças corroboram para o esgotamento de recursos médicos para a população que, infectada por bactérias ou vírus, lota hospitais e postos de saúde em todo o País, potencializado, também, à precariedade destes.

Com base nisso, “a cultura forma sábios; a educação, homens” é uma das célebres frases do filósofo iluminista, Louis Bonald, em que exalta a importância da instrução educacional na formação de um indivíduo. Sob essa análise, é importante salientar como aulas de biologia, com o auxílio de argumentação científica e pesquisas, podem esclarecer dúvidas sobre doenças virais, bacterianas e como essas podem ser evitadas através da vacinação. Porém, o Brasil não investe suficientemente em ensino público, deixando alunos à mercê de achismos e vulneráveis diante de notícias falsas. Visto isso, muitos brasileiros sem a instrução escolar básica são vítimas da errônea informação de que a vacinação causa autismo nas crianças e, seguindo essa lógica, negligenciam a vacinação infantil, fato que expõe muitas pessoas à doenças antes erradicadas.

Assim, cabe ao Ministério da Saúde, atrelado às secretarias municipais, promover um maior destaque de investimentos para a saúde pública, por meio de emendas constitucionais, realizando campanhas mais incisivas de vacinação, em especial para áreas epidêmicas do Brasil, com o objetivo de atingir o maior número possível da população. Ademais, o Ministério da Educação deve procurar destinar uma maior quantia de capital para o ensino público, com o fito de divulgar, ensinar informações seguras sobre doenças e suas prevenções vacinais, a fim da conscientizar jovens. Dessa maneira, a Revolta da Vacina ficará apenas na República Velha e na lembrança dos brasileiros.