Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 16/11/2020

A Segunda Geração Romântica, definida como mal do século, foi conhecida pelas inúmeras crises de tuberculose entre seus escritores. Em analogia a esse contexto literário, verifica-se, na contemporaneidade, a volta de epidemias no território brasileiro - que antes se encontravam erradicadas ou controladas - em decorrência de negligência social. Nesse âmbito, rever os desafios que garantem a vacinação é imprescindível para promover o combate às doenças, a fim de garantir o direito à saúde, proposto na Constituição Federal.

Segundo Satre, cabe ao ser humano escolher seu jeito de agir porque esse é essencialmente livre e responsável. Diante disso, é valido mencionar que essa liberdade atrelada ao deficiente processo de imunização - devido aos movimentos contrários a vacinação, oriundos das Fakes News - além de acarretar prejuízo para a própria pessoa, colocam a sociedade em risco devido à exposição do indivíduo a organismos contagiosos. Fato que comprova isso, é a recorrência do Sarampo, doença que reapareceu no estado do Amazonas e de Roraima e, antes, encontrava-se sobre controle. A vista disso, aceitar tal negligência, é como adquirir ao corpo social a felicidade clandestina, proposta por Clarice Lispector.

Sob o mesmo viés, o retorno das epidemias está atrelado  a diferentes fatores relacionados à esfera governamental. Nessa lógica, uma dessas consequências é o crescimento periférico da população, que devido ás regiões precárias onde se localizam, não recebem projetos governamentais de qualidade, como Unidades Básicas de Saúde com capacidade para atender a comunidade. Além disso, a falta de organização nas fronteiras e o descaso com a vinda dos imigrantes contribuem para esse quadro, visto que indivíduos contaminados podem transmitir essa mazela a brasileiros que não obtiveram a auto imunização.

Diante do exposto, destaca-se que os desafios na saúde pública, principalmente em relação a vacinação, causam efeitos de amplo espectro e, por isso, medidas devem ser efetivadas. Para tanto, compete ao Estado, em especial ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, alertar sobre os malefícios da não vacinação, por meio de propagandas educativas nas televisões, rádios e internet, visando à comoção e mobilização do espectador sobre as consequências da falta de imunização. Ademais, concerne ao Governo, obras de infraestrutura nas localidades periféricas somado à fiscalização da carteira de vacinação de imigrantes para que seja possível evitar a transmissão de doenças. Portanto, uma ação conjunta entre esse órgãos é imprescindível para manter a harmonia no país, pois, conforme João Cabral de Melo Neto, “um galo sozinho não tece a manhã”.