Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 01/11/2020

A Revolta da Vacina foi um motim popular ocorrido em 1904, na cidade do Rio de Janeiro, contra as medidas autoritárias do presidente Rodrigues Alves. Este estava com o objetivo de reurbanizar a cidade, além de um saneamento na saúde pública (o que incluía a vacinação), entretanto, a vacina era obrigatória e sem qualquer orientação e explicação por parte das autoridades aos cidadãos. Como consequência, desencadeou a insatisfação e recusa da população. Portanto, o governo deve se incumbir de, não só fornecer um serviço de saúde de qualidade, mas também dar as informações necessárias, principalmente para um problema que - se não cuidado - pode se tornar um genocídio.

Vale ressaltar os dados do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, no qual mostra que, cerca da metade das crianças brasileiras não receberam todas as vacinas no ano de 2020. Agregado a isso, tem-se a infeliz notícia do Brasil ter perdido o certificado de erradicação do sarampo após a confirmação de 7,7 mil casos (até o início de agosto). Isso se deve a falsa sensação de segurança, o que leva a perda de urgência em vacinar as crianças, o esquecimento ou, até mesmo, a ignorância, pais que nunca ouviram falar em sarampo, poliomielite e afins. Portanto, nota-se um quadro de negligência, não só da população, como do governo.

Outro fator determinante que aumenta o desafio em garantir a vacinação dos brasileiros são as fake news atreladas ao movimento antivacina. Indivíduos que não possuem uma base educacional sólida,  que não são conhecedor da eficácia do campo científico, são mais suscetíveis a acreditar nesse tipo de argumento que só os afasta do progresso e da prosperidade. Por fim, a crise econômica: famílias sem meios de transporte para se dirigir às unidades de saúde; falta de tempo; não possuírem conhecimento das campanhas em voga. Enfim, fatores esses que vão contra o que o país expõe na sua bandeira e defende, a ideia de ordem e progresso.

Medidas, portanto, devem ser feitas para resolver esse impasse. O Ministério da Saúde deve investir incessantemente na divulgação das campanhas e, incentivar que os médicos participem da divulgação. Eles são vistos como autoridades em saúde, ou seja, quanto mais médicos divulgarem nas suas redes sociais; no seu circulo de convívio; aos seus pacientes a importância da prevenção, mais satisfatórios serão os resultados. Além disso, o governo construir em cada bairro unidades de saúde, com profissionais que se disponibilizam a ir aos domicílios, não só para lembrar da campanha, como levar a vacina se for necessário (principalmente nas escolas). Dessa forma, um país em que valoriza o conhecimento científico e, principalmente, a saúde dos seus cidadãos, começa a se formar e se consolidar.