Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 02/11/2020

A Revolta da Vacina foi um conflito ocorrido durante a República Velha, causado graças à imposição, por parte de órgãos governamentais, da aplicação de uma vacina na população mais pobre do Rio de Janeiro, vítima de enfermidades geradas a partir da falta de saneamento básico. É notório que a negligência do Governo para com os afetados antes da situação de crise na saúde e a falta de conhecimento acerca da importância da imunização contribuiu para que o fato supracitado ocorresse, situação que não destoa do contexto brasileiro atual, em que a vacinação de todo o país se torna um desafio para o Estado devido ao desabastecimento de vacinas na rede pública e à veiculação de inverdades nas redes sociais.

Em primeira análise, o acesso à vacinação é dificultado em diversos municípios. Segundo dados do site “VivaBem”, o desabastecimento de vacinas é uma das maiores problemáticas atuais, visto que o Ministério da Saúde importa esse tipo de tecnologia, em consequência da desvalorização e da falta de investimentos na ciência nacional - atitude que contraria os pensamentos de John Locke, o qual considerava a vida um direito que deveria ser garantido pelo Estado. Esse viés faz com que patologias já erradicadas, como a poliomielite e o sarampo, voltem a ser registradas, posto que nem todas as famílias conseguem arcar com o custo de imunizações na rede privada, graças aos seus altos custos.

Ademais, informações falsas sobre a ação das vacinas no corpo humano são repassadas por meio das redes sociais. De acordo com o documentário “Pandemia”, o surgimento do grupo antivacina, formado por pessoas que acreditam que essa forma de imunização é perigosa, contribuiu para com  a propagação de inverdades na internet em relação a como essas substâncias funcionam - como a ideia de que crianças podem adquirir autismo. Tal cenário contribui para a diminuição do número de prevenções, principalmente, de indivíduos mais ignorantes em relação ao assunto que passam a duvidar da ciência e de órgãos da saúde.

Portanto, medidas devem ser tomadas para a melhora das circunstâncias. Assim, o Ministério da Saúde, em parceria com a Mídia, deve colocar em circulação campanhas que mostrem a importância da vacinação e desmistifiquem desinformações espalhadas por grupos antivacinas, por meio de explicações simplificadas e lúdicas sobre como tal forma de imunização funciona. Outrossim, é papel do Governo Federal e do Ministério da Economia investir mais capital na criação de indústrias cientificas - por meio da destinação de maior parte do PIB para esse segmento - com o objetivo de valorizar a ciência nacional e não sujeitar o país a dependência tecnológica de outros países. Desse modo, o que fora proposto por Locke poderá ser colocado em prática.