Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 05/11/2020

Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso à saúde como direito de todos os indivíduos, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito à vacinação da população. Isso acontece devido aos baixos investimentos estatais na ampliação da vacinação e à falta de visão crítica do corpo civil sobre a importância da vacinação para saúde.

Em primeira análise, vale destacar que a postura decadente do Estado brasileiro em efetivar direitos básicos à população põe em xeque a saúde dos cidadãos, visto que os ínfimos investimentos destinados à vacinação promove a disseminação de doenças já erradicadas, como afirmado pelo Ministério da Saúde. Com efeito, pode-se afirmar que tal atitude gera um efeito dominó sobre o SUS (Sistema Único de Saúde), na medida em que há um aumento de enfermos pela consequência da não vacinação, sobrecarregando o sistema e, dessa forma, medidas corretivas tornam-se mais custosas em relação às preventivas. Esse panorama lamentável quebra o elo entre a saúde e o bem-estar social, elementos essenciais à conquista da “Eudaimonia”, uma vida com tranquilidade, defendida pelo filósofo grego Aristóteles. Evidencia-se, portanto, que, enquanto o Estado não exercer sua função de mediador social, a sociedade padecerá o alheamento governamental com quesitos essenciais à vida.

Além disso, a falta de pensamento crítico do corpo civil acerca dos seus direitos e deveres sobre a vacinação colabora para a manutenção do quadro vigente. Nesse sentido, os movimentos antivacina, que vão de encontro à luz da ciência, têm obtido, de forma crescente, mais adeptos e, por conseguinte, tornam mais difícil a vacinação de forma eficiente e igualitária. Sob esse viés, fica claro a relevância da sociedade na luta contra a desinformação e a disseminação de informações falsas. Nessa lógica, observa-se que a mudança do cenário atual cabe não só aos órgãos públicos, mas também ao corpo civil.

Verifica-se, então, a necessidade de tornar o acesso à vacina universal e preciso. Para isso, faz-se imprescindível que o Poder Executivo, por meio de sólidos investimentos, torne possível a compra devida de doses de vacinação a toda população, para que haja uma crescente cobertura de vacinados. Assim, a população estará protegida e resguardada de maiores enfermidades e, então, a volta de doenças erradicadas será vetada. Paralelamente, cabe às escolas, por intermédio de palestras com pais e responsáveis, a formação de indivíduos críticos quanto ao seu papel social na importância de combater à desinformação e à pertinência da vacinação para manutenção da saúde e, assim, cobrar ao Estado direitos elencados na Carta Magna, a fim de efetivar garantias essenciais à vida.