Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 04/11/2020
Em 1998, Andrew Wakefield, médico e cientista Inglês, iniciou um grande movimento antivacina na Inglaterra. Foi desenvolvido um estudo por ele, e posteriormente publicado pela renomada revista The Lancet, no qual se afirmava, com poucas evidências, que havia uma relação entre casos de crianças que foram vacinadas contra o sarampo e o desenvolvimento de autismo nas mesmas. Ainda hoje, esse tema reverbera massivamente no tocante à vacinação. Dentre os maiores desafios para garantir a efetivação do PNI (Programa Nacional de Imunização) estão: a segurança desenvolvida na população do século XXI em relação às doenças, e a partir disso, a formação de um terreno fértil para novas teorias antivacinas, endossadas pelo estudo de Wakefield, ainda que tenha sido desmascarado.
Em primeira análise, é importante esclarecer os motivos pelos quais a população tem a sensação de segurança com relação às doenças infecciosas. Devido ao êxito da erradicação da varíola, em 1973 foi criado o PNI, que visou à erradicação de muitas outras doenças, como poliomielite, sarampo, caxumba, tétano, hepatite, entre outras. Depois de massificadas campanhas publicitárias e de vacinação em escolas e UBS (Unidades Básicas de Saúde), o país passa a viver o que denomina-se pela comunidade científica “imunidade de rebanho”, que seria a expressão de um grande contingente populacional vacinado, portanto protegido. Isso gerou segurança na sociedade, o que, apesar de contraditório, explicaria a rápida adesão aos movimentos antivacinas, pois essas mesmas pessoas não tiveram contato com doenças que foram erradicadas pelas campanhas de vacinação.
Além disso, é válido elucidar a problemática que Andrew Wakefiel desencadeou em 1998. Seu estudo foi, na realidade, uma “história criminosa”. Ele forjou o estudo com interesses pessoais, pois estava desenvolvendo uma vacina para o sarampo, e econômicos, devido a interesses de advogados que tentariam processar a indústria farmacêutica responsável pela fabricação da Tríplice-viral. Ainda que Wakefield tenha perdido sua licença médica e que seu estudo tenha sido minuciosamente desmantelado, é muito mais fácil perpetuar uma mentira ao tentar desmascará-la.
Portanto, medidas são necessárias para superar o impasse. Cabe ao Ministério da Saúde, propor um novo plano de diretrizes para vacinação no Brasil, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. O plano deve garantir a liberdade de escolha dos pais em vacinar ou não seus filhos, porém, com várias objeções, como recusa nas matriculas escolares caso a criança não esteja vacinada, por exemplo, e endossamento de campanhas publicitárias que visem desmascarar fake news. Espera-se com essa ação, que a população seja estimulada a cumprir com o calendário de vacinação e desmistificar teorias incompatíveis com a realidade.