Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 05/11/2020

Rubéola. Coqueluche. Sarampo. Poliomelite. Varíola. São algumas das doenças prevenidas através de vacinas disponibilizadas gratuitamente pelo Governo Federal. Entretanto, observa-se nos últimos anos uma redução alarmante no número de vacinados, sendo necessário, dessa forma, analisar as causas desta diminuição, bem como suas consequências para o sistema de saúde.

Em primeiro lugar, é relevante analisar que um dos motivos para a queda da cobertura vacinal é o compartilhamento de “fake news” sobre as campanhas de imunização. Embora o sociólogo francês Pierre Bordieu afirme que aquilo que foi criado como instrumento de democracia não deva ser utilizado como ferramenta de manipulação, é frequente a divulgação de informações falsas para alienar os indivíduos. Por exemplo, em um monitoramento realizado pelo Ministério da Saúde em 2018, foram identificados 185 boatos contendo dados incorretos e sem embasamento científico sobre vacinação, como o de que “doenças erradicadas no país não precisam ser mais controladas”, com vistas a desestimular a imunização. É evidente, de tal forma, a necessidade de combater a desinformação e alertar população sobre os riscos associados a não-vacinação.

Por consequência, a menor cobertura vacinal pode resultar no aumento no número de infectados, e até mesmo no reaparecimento de doenças consideradas eliminadas no território nacional. Como exemplo, recentemente o sarampo, considerado erradicado no Brasil desde 2016, voltou a ser registrado no país e ameaçar à vida de crianças. Ademais, enquanto no Brasil o câncer de colo de útero é quarta causa mais frequente de morte por câncer em mulheres, na Austrália estima-se que a doença seja eliminada até o fim da década devido as altas taxas de imunização contra o HPV no país. Ou seja, a falta de vacinação confere uma grave ameaça à saúde dos envolvidos e prejudica avanços imunológicos importantes alcançados.

Destarte, é urgente reverter esse cenário preocupante. Cabe ao Ministério da Saúde, por meio do poder midiático, promover campanhas de conscientização e divulgar os óbitos ocorridos por doenças imunizáveis por vacina, com o objetivo de desmistificar mentiras sobre essa prática e alertar sobre os riscos da baixa cobertura vacinal. Ademais, a iniciativa privada deve, como condicionante na contratação de funcionários, exigir a caderneta de vacinação atualizada do empregado e de seus dependentes. Espera-se, com isso, criar um mecanismo indireto que torne a imunização obrigatória. Só assim, os desafios no combate de doenças evitáveis com vacina serão superados.