Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 12/11/2020
O documentário “A Vacina Que Salvou o Mundo” retrata a árdua trajetória enfrentada pelo cientista americano Jonas Salk que, após confeccionar a vacina que trouxe a cura para a maior epidemia vivenciada na época, tem que lidar com o descrédito e negação popular frente à eficiência dessa inovação. Para além da obra fictícia, na conjuntura nacional hodierna, é perceptível a existência de um exacerbado sentimento de rejeição social para com a imunização, resultando em uma acentuada diminuição na cobertura vacinal brasileira. Dessa forma, convém o emprego de um olhar crítico de enfrentamento acerca dos empecilhos à garantia de uma eficiente imunização nacional.
A princípio, verifica-se que o descaso estatal frente à situação se configura como uma das principais causas para a existência do imbróglio. À luz dessa perspectiva, consoante a Constituição Federal- por meio do Programa Nacional de Imunização (PNI) -é dever da União, assegurar à toda a população o acesso integral e gratuito ao completo cronograma vacinal necessário à manutenção de sua integridade biológica. Entretanto, no cenário tupiniquim hodierno, é perceptível que a aplicação desse ideal restringe-se apenas ao campo teórico, haja vista que, na prática, os escassos investimentos estatais destinados ao PNI impedem a ocorrência de uma efetiva cobertura vacinal no país, resultando em um frequente desabastecimento, nas unidades de saúde, do líquido imunizante e dos materiais necessários para aplicá-lo
De outra parte, nota-se que a fragilidade no conhecimento popular acerca da importância da imunização para a profilaxia de doenças contribui para o declínio da prática no Brasil. A esse respeito, a coordenadora do PNI, Carla Domingues, pontua que, em tempos remotos, a alta taxa de adesão popular ao ato da vacinação tornou possível a erradicação de uma série de doenças existentes à época. Todavia, na contemporaneidade, tal fato findou por gerar no tecido social o errôneo pensamento de que, por o atual século apresentar baixa incidência de patologias que outrora assolavam a nação, não se torna necessário a imunização periódica e regular. Assim, como consequência para essa postura de displicência, tem-se que cerca de 64% da sociedade brasileira não possui o cronograma vacinal atualizado, conforme dados divulgados pelo Instituto IPSOS MORE.
É evidente, portanto, a urgência na mitigação do revés. Destarte, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Saúde (MS), a elaboração de uma comissão técnica destinada exclusivamente à realização de um estudo aprofundado quanto a realidade dos postos de vacinação. Assim, de posse de tais dados, o Estado destinaria uma quantia de verbas suficiente à aquisição de todos os insumos necessários à imunização, bem como para a realização de campanhas de conscientização social.