Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 14/11/2020
De acordo com Peter Diamandis, autor do best seller “Abundância: o futuro é melhor do que você pensa”, afirma que com avanço da pesquisa médica e da tecnologia, haverá um dia em que a malária e a maioria das doenças mortais serão erradicadas da terra. Essa visão, embora lógica, não é efetivada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que o sucesso com relação à vacinação é um desafio ainda vigente para o Estado. Isso ocorre ora devido à proliferação de notícias falsas a respeito das vacinas, ora em decorrência da falta de concretização de garantias constitucionais.
A priori, é imperativo relacionar o fluxo de mentiras acerca das vacinas com dados da Laurence Cibrelus, chefe da estratégia de combate a doenças na Organização Mundial da Saúde. Segundo a epidemiologista franco-americana, as “fake news” estão influenciando negativamente a meta de vacinação no Brasil, em que o índice ideal de vacinação seria de 80% da população, mas que apenas 55% foram imunizados. Nesse contexto, o preconceito arraigado com informações infundadas tem aumentado a recusa da imunização por parte da sociedade, que tornou-se receosa com um possível efeito colateral, porém, inexistente, o que dificulta o controle de doenças por parte do Estado.
A posteriori, é imperioso concatenar o não cumprimento de garantias com a vigente Constituição de 1988. De acordo com a carta magna, a saúde é direito de todos e dever do Estado. Nessa perspectiva, a disponibilidade da vacina enquadra-se como um mecanismo de manutenção da vitalidade da população, a qual é um direito social conquistado ao longo da história brasileira, e cabe ao Governo cumprir com esta obrigação. Entretanto, tal ideal não é executado na prática, os postos de vacinação sofrem com a escassez de imunizantes, que deveriam ser disponibilizados gratuitamente. Assim, restringe-se à parcela mais bem remunerada da sociedade a possibilidade de acesso, por meio da compra em instituições privadas, segregando-o.
Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para tornar possível a vacinação dos brasileiros. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União(TCU) direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde(MS), seja revertido na Implementação de campanhas direcionadas ao combate dos mitos atrelados à vacina. Isso deve ser feito por meio da divulgação em massa nas redes de televisão e mídias sociais, com conteúdo focado em alertar sobre as mentiras e a importância da imunização, com a finalidade de ampliar o número de pessoas participantes. Ademais, é fundamental que o MS solicite um aporte financeiro para a compra de mais vacinas e sua posterior disponibilidade nos postos públicos. Dessa forma, com o fim dos mitos e com a oferta necessário de imunizantes, o Brasil colaborará para erradicação de diversas doenças como prevê Peter Diamandis.