Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 20/11/2020

Ao longo da formação da sociedade, a ciência mostrou-se crucial para a prevenção de doenças e a detenção de epidemias. A exemplo, no século XVIII, o naturalista Edward Jenner foi responsável pela primeira forma de imunização ativa: a vacina. No entanto, apesar desses avanços, doenças como a febre amarela voltaram a preocupar a população brasileira nos últimos anos. Dessa forma, é evidente que a questão da vacinação deve ser abordada de maneira eficaz, a fim de conscientizar as pessoas, já que a debilidade da saúde pública e a falta de informação são fatores relevantes nesse âmbito.

A priori, é evidente que a perpetuação do senso comum representa um retrocesso à concretização de tal ato. Acerca disso, considera-se a fala do nacionalista Gandhi, na qual ele considera que a saúde é o resultado dos nossos pensamentos, uma vez que a disseminação de mitos sobre a segurança e efetividade de muitas vacinas são capazes de provocar medo em grupos que não possuem aparatos para distinguir a veracidade dos discursos e não conhecem a função dessas substâncias. Desse modo, a falta de informações lúcidas sobre os métodos científicos e os motivos das reações pós-aplicação contribuem para a formação de opiniões infundadas, o que leva 23% da população a duvidar de tal eficácia, segundo a Sociedade Brasileira de Imunização. Em efeito, muitas pessoas se recusam a vacinar e, conforme a Teoria Evolutiva de Darwin, tornam-se menos adaptadas à seleção natural.

Além disso, a imunização generalizada encontra dificuldades não só pelo comportamento individual, como também pelo despreparo estatal. O “jeitinho brasileiro”, atribuído pelo antropólogo Sérgio Buarque de Holanda, corresponde ao caráter emocional em que o improviso e o acomodamento induz as pessoas a agirem apenas em situações de emergência como em surtos epidemiológicos. Em efeito, nota-se a sobrecarga do sistema de saúde que, de praxe, já apresenta carência de recursos, visto que, de acordo com o jornal Globo News, mais de 2 mil Unidades Básicas prontas permanecerão sem funcionar. Logo, fica claro que uma vacinação ampla é uma questão de saúde pública.

Diante do exposto, nota-se a importância do pensamento coletivo e de ações governamentais para ampliar a vacinação no país. Para tal, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com emissoras de televisão, informe a relevância desse ato, por meio de programas que abordem o tema de maneira lúcida e explicativa, de modo que desmistifique discursos premeditados e evite a hesitação. Ademais, é importante que o mesmo órgão, juntamente com os governos municipais, revejam a gestão nas Unidades Básicas de Saúde, aumentando o quantitativo de profissionais e medicamentos, além de fornecer cursos especializados em gestão de alta demanda, de modo que aumente o funcionamento e controle o fluxo de pessoas para não haver sobrecarga, o que favorece a seleção natural de Darwin.