Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 08/11/2020
Diante de um estopim da doença varíola ocorrida no Rio de Janeiro, em 1904, o médico e diretor da saúde pública Oswaldo Cruz inseriu o movimento denominado Revolta da Vacina, cujo intuito era erradicar a doença no país através da obrigação da vacinação. Tal evento se deu devido a falta de conhecimento da população acerca da vacina, que, entre outras questões, desconhecia as características do fluído e de sua veracidade à respeito dos efeitos dela no organismo humano. Com tantas dúvidas, a população preferiu não arriscar-se ao desconhecido, gerando mais de 1800 internações de pacientes com varíola somente naquele ano. Após mais de 100 anos, de acordo com dados do Programa Nacional de Imunização (Datasus) realizado no ano de 2016, dúvidas e teorias acerca da vacinação para a população se repetem, causando a volta de doenças como, por exemplo, a peste bubônica, doença propagada na Europa do século XIV que foi diretamente regredida com o avanço da vacinação. Mas por que?
De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, ainda que a disponibilização de vacinas seja ampla em território brasileiro, em muitos munícipios do país não há unidades de saúde para disponibilizarem serviços básicos, como a própria vacinação. Conciliado à isso, há a falta de conhecimento de certa porcentagem da população acerca dessa necessidade, que gera um rombo na saúde pública, fornecendo uma nova chance para o vírus da doença se disseminar não somente em apenas um indivíduo, mas em toda a região, uma vez que esses parasitas intracelulares obrigatórios conseguem se imunizar contra a vacina através de sucessivas mutações genéticas.
Não há apenas um motivo que gera tal problemática acerca do tema. Parte da população Brasileira encontra-se dividida acerca da vacinação devido a disseminação de notícias falsas em redes sociais. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, tais notícias se propagam 70% mais rápido do que notícias verdadeiras. Isso ocorre pois seu meio de propagação se dá principalmente via internet, onde há uma crescente interação social.
Diante desse cenário, é indubitável a realização de procedimentos necessários à resolução dessa problemática. É essencial que o Ministério da Saúde priorize instalações de pontos de vacinação em parques, igrejas e clubes, bem como a realização de mutirões em áreas carentes, além de divulgar o grau de importância da vacinação para o público dessas regiões. Quanto às informações falsas, cabe ao Poder Executivo, em associação com a administração das redes sociais, maximizar a análise de notícias duvidosas presentes em redes sociais com o intuito de minimizar a propagação de movimentos anti-vacina na sociedade.