Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 09/11/2020
A revolta da vacina, ocorrida no Rio de Janeiro em 1904, representou um importante marco histórico acerca do retrocesso vivido pelo país diante de uma das maiores epidemias do século: a de varíola. Todavia, quase um século depois do movimento, o Brasil ainda apresenta marcas de rejeição às vacinas, que contribuem para a volta de doenças já erradicadas e, consequentemente, para a morte de milhares de brasileiros. Logo, os desafios para garantir a vacinação baseiam-se no combate à resistência atrelada à desinformação, e na desmistificação da questão como sendo uma escolha pessoal, permitindo o surgimento da consciência coletiva em prol da saúde pública.
Diante de tal problemática, a falta de informação e a disseminação de notícias falsas sobre a imunização são uns dos principais contribuintes para a queda nos índices de vacinação do país. Desta forma, os brasileiros, por não receberem explicações detalhadas e significativas em relação ao método, mostram-se resistentes diante de sua aplicação, ficando vulneráveis às “fake news”, que colocam a questão como sendo prejudicial à saúde. Assim, o progresso em vez de contribuir para o bem estar da população acaba sendo rejeitado, como é expresso no livro “Gabriela Cravo e Canela”, de Jorge Amado, que aponta a negação do povo de Ilhéus sobre o uso de novas tecnologias, justamente por as desconhecerem, sendo apegados à métodos tradicionais dados como mais confiáveis.
Ademais, construiu-se um imaginário popular de que a vacinação é uma escolha individual e que, por conseguinte, não pode ser imposta pelo Estado, tornando as tentativas de imunização em massa (essenciais para os efeitos produtivos da vacina) ainda mais desafiadoras. Outrossim, os brasileiros esquecem que o meio social depende da contribuição de todas as partes para manter-se vivo, fazendo com que o Brasil fique a mercê de problemas fatais (que possuem solução). Essa relação é discutida pelo sociólogo Émilie Durkheim que aponta a sociedade como sendo um organismo vivo, no qual a deficiência em uma única célula (representada pelo indivíduo) prejudica diretamente todo o corpo, colocando o país em perigo iminente.
Urge, portanto, a necessidade de que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério das Comunicações, desenvolva campanhas (a serem divulgadas amplamente por meio de rádio e televisão) que visem explicar todo processo biológico de imunização permitido por uma vacina, de maneira clara e didática, além de exaltar sua importância para sociedade. Destarte, será desmistificada qualquer concepção de que a vacinação é perigosa, ou até mesmo não necessária, fazendo com que os brasileiros adotem o método em ampla escala. Sendo assim, o país apresentará avanços na saúde pública, impedindo uma nova onda de retrocessos como a implementada com a revolta da vacina.