Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 16/11/2020

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê a saúde como direito fundamental à todo cidadão. Entretanto, tal prerrogativa legal não é repercutida com ênfase na prática, uma vez que o baixo índice de vacinação impossibilita a manutenção da saúde dos brasileiros, ascendendo um quadro alarmante e contrário ao direito legalmente definido, principalmente para as crianças. Nesse sentido, a recusa dos pais à vacinarem seus filhos e a despreocupação popular são desafios para a garantia da imunização dos cidadãos do país, fato que faz urgir a necessidade de alteração nesse cenário adverso que compromete o bem-estar da sociedade.

Em primeiro plano é preciso analisar que a hesitação dos pais em permitir a imunização ativa de seus filhos, por meio da vacinação, promove uma situação lesiva à saúde dos infantis. Tal problemática decorre do temor de uma parcela populacional calcado na crença que relaciona o ato imunizador ao aparecimento de outras doenças, crítica construída, muitas vezes, por equívocos e artigos não comprovados, a exemplo da publicação feita pelo pesquisador Andrew Wakefield, que associava o aumento do número de autismo à vacina Tríplice Viral, impulsionando a desconfiança das pessoas sobre as vacinas. Dessa forma, quando somada ao ambiente virtual, a transmissão de informações incorretas estimula o desenvolvimento de movimentos anti-vacina que, diante disso, influenciam pais a não vacinarem seus filhos, contexto alarmante e prejudicial à saúde das crianças.

Ademais, a diminuição de casos de pessoas com doenças que já possuem medidas preventivas, provenientes da vacinação, contribui para a negligência direcionada às vacinas. Nesse ínterim, essa situação é análoga à música “Vacina”, do cantor Amado Batista, que evidencia a despreocupação dos pais como fator danoso para garantia da saúde dos jovens, dado que os responsáveis, muitas vezes, vinculam as doenças à um problema já resolvido, principalmente devido à escassez de veiculação de ocorrências diárias. Em síntese, como previsto no jornal Época Negócios, a existência de apenas 78,5% de crianças imunizadas no país em 2018 atesta que o descaso dos pais em relação ao ato da vacinação fomenta a situação do país atual.

Portanto, é imperativo que o Ministério da Saúde promova projetos educacionais com repercussão midiática, por meio de palestras em veículos de comunicação e espaços públicos. Tais ações serão realizadas com a participação de profissionais de saúde e a população, a fim de, em conjunto, promover o debate e esclarecer dúvidas acerca da vacinação, de forma a desconstruir o receio e a despreocupação das pessoas sobre essa prática. Por fim, será possível a aplicação efetiva do direito garantido na Carta Magna e, assim, corroborar para o estabelecimento pleno da saúde no país.