Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 11/11/2020
A plena cobertura de vacinação brasileira cai ano após ano, fato que torna possível a introdução de novas doenças e a reintrodução das erradicadas. Dessa forma, apesar do Estatuto da Criança e do Adolescente considerar a vacinação como um direito das crianças e dever dos pais, a imunização dos pequenos enfrenta sérios desafios. Logo, a desinformação é a principal aliada na negligência paternal quanto à essa medida de segurança sanitária que tem impactos tanto no aspecto pessoal como no coletivo.
Nessa conjuntura, é necessário destacar as principais relevâncias de se garantir a plena cobertura vacinal. Segundo a Constituição Federal de 1988 a saúde é um direito social de caráter universal que tem como foco a prevenção de doenças. Diante disso, a vacinação é um dos principais métodos de controle de enfermidades contagiosas que podem atingir a população, sendo de responsabilidade cidadã o compromisso com a autoproteção, uma vez essa ação impede que indivíduos não vacinados -como os portadores de intolerância medicamentosa- sejam contaminados. Além disso, a imunização popular é responsável por erradicar doenças fatais como sarampo e poliomielite.
Contudo, observa-se algumas distorções nessa política sanitária, uma vez que a dificuldade do acesso a informações confiáveis possibilita que a sociedade seja manipulada por fake news. Isso é frequentemente manifestado pela difusão de notícias falsas pela web e por uma abordagem médica rasa e despreocupada com o saneamento de dúvidas e questionamentos. Tal cenário constitui como uma afronta à cidadania, conceito ao qual Thomas Marshall definiu como o conjunto de direitos civis, sociais e políticos, uma vez que pais, ao se negarem a vacinar seus filhos, negligenciam seu papel junto ao Estado de promover saúde- um direito social- a eles.
Dessa forma, é necessário que, para garantir a ampla cobertura de vacinação, o Ministério da Saúde, em parceria com as principais mídias sociais, leve especialistas em saúde até o público mais suscetível à manipulação por fake news. Isso deve ser feito a partir de participações desses agentes em perfis de famosos, comerciais em horário nobre e por meio de vídeos curtos que a própria população poderá reenviar aos seus contatos, de forma que informação chegue primeiro que os boatos. A partir disso, ter-se-á um país verdadeiramente protegido das doenças e da desinformação.