Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 15/11/2020
Ainda no século XX, Albert Sabin, premiado pesquisador americano, em um dos atos de altruísmo mais significativos da história recente renunciou à patente da vacina de poliomielite criada por ele facilitando a erradicação da doença em muitas partes do mundo. Apesar dos avanços tecnológicos as conquistas dos mecanismos de imunização são colocadas em xeque diante da crescente ideologia do medo que recai sobre o tema. Nesse sentido, convém analisar tanto o movimento antivacina que ganha espaço explorando a preocupação natural dos pais, quanto os desafios impostos pela pandemia na imunidade da população brasileira.
Primeiramente, teorias da conspiração sobre vacinas disseminam-se rapidamente nas redes sociais com estratégias de manipulação emocional de pais e responsáveis. De acordo com a escritora Eula Biss - em seu livro “Imunidade: Germes, vacinas e outros medos” - os principais sites que propagam ideias do movimento contra vacinação são financiados por empresas que promovem produtos com aparente equivalência. Diante disso, é inadmissível que pais e mães brasileiros sejam manipulados e coloquem seus filhos em risco por razões mercadológicas.
Outrossim, a pandemia de coronavirus trouxe consequências para cobertura vacinal do país, muitos adultos sentem-se receosos quanto à exposição de crianças e adolescentes em unidades de vacinação. Sob esse viés, segundo um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde metade das crianças brasileiras não recebeu todas as vacinas que deveria em 2020. Dessa maneira, é deplorável que na tentativa de proteger um indivíduo de uma afecção ele torne-se vulnerável a outras que podem de fato mata-lo.
Faz-se necessário, portanto, que o governo revise o Programa Nacional de Imunização, por meio de investimentos em marketing acerca dos riscos de teorias conspiratórias e adaptação dos pontos de aplicação de vacinas. Com a ampliação da modalidade de drive-thru e vacinação domiciliar realizada por agentes de saúde capacitados. Espera-se ,com isso, não apenas atualizar as campanhas do Brasil para os desafios do novo normal, como também honrar o legado de Sabin no que tange à saúde pública.