Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 16/11/2020

“O maior erro que o homem pode cometer é sacrificar sua saúde é qualquer outra vantagem”. Tal frase de Arthur Schopenhauer abre discussão acerca dos desafios para garantir a vacinação dos brasileiros. É fato que os avanços na ciência tiveram um papel ativo no aumento da qualidade e expectativa de vida. Contudo, observa-se a queda na cobertura de imunização e a ascensão da medicina alternativa. Nesse sentido, faz-se necessário analisar a problemática intrinsecamente ligada à inércia estatal e alienação populacional.

Ressalta-se, em primeiro plano, a falta de conhecimento da comunidade sobre o que é, realmente, a vacina. Essa desinformação instaura o medo na sociedade, resultando, assim, no esvaziamento dos postos de saúde. Outro fator intensificador do pânico são as “fake news” relativas a supostos efeitos colaterais, tendo como exemplos a associação feita entre a vacina do sarampo e autismo por Andrew Wakefield. Sob esse âmbito, é válido frisar que o receio popular está presente desde a revolta da vacina de 1904 e perdura até hoje.

Cabe mencionar, em segundo plano, o descaso do governo quanto as campanhas infantis. Ao deixar de investir em atrativos para as crianças, ele permite que a única associação com a imunização seja a dor da agulha. Nesse sentido, formam-se cidadãos repudiadores da prática, os quais aderem a métodos alternativos, como a homeopatia. Diante disso, é provável a transmissão da conduta aos descendentes do indivíduo, ampliando o contingente dos movimentos antivacinas, impossibilitando a taxa de cobertura de 95% estipulada pela Organização Mundial de Saúde.

Infere-se, portanto, que os desafios para garantir a vacinação dos brasileiros possui uma íntima relação com a desinformação humana. Desse modo, é imperiosa uma ação do estado, em conjunto com o Ministério da Saúde, por meio do investimento em campanhas atrativas e didáticas. Nelas terão apresentações, teatro por exemplo, destinadas a ensinar pais e filhos sobre o que é a imunização e seus benefícios, a fim de elevar o número de pessoas protegidas. Assim, parafraseando Schopenhauer, o homem não cometerá o erro de sacrificar sua saúde à qualquer outra vantagem.