Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 16/11/2020

A Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro no início do século XX, teve como um dos seus pilares a desinformação acerca das políticas públicas adotadas contra a varíola. Porém, passado um século desde esse conflito, ainda há muitos desafios para garantir a vacinação dos brasileiros, dentre eles, pode-se apontar as ‘fake news’ e o negacionismo científico, que dependem de medidas governamentais para serem mitigados.

Em um primeiro plano, observa-se que, mesmo diante de uma pandemia como a da COVID-19, muitas pessoas seguem resilientes sobre a importância das vacinas. Contudo, esse grupo tem ganhado espaço, principalmente porque a negação à ciência virou uma das bases de discursos políticos, vistos Brasil à fora. Diante disso, medidas propagadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), seja quanto ao uso de máscaras ou isolamento social, são postas em dúvida constantemente por uma parcela da população, o que demonstra descrença na ciência.

Entretanto, para promover uma conduta negacionista no indivíduo, faz-se necessária a disseminação de notícias falsas, por intermédio de ‘sites’ que performam como os portais da grande mídia. Não obstante, as redes sociais também propulsionam as ‘fake news’ com o uso de perfis ‘bots’, que fazem disparos em massa de informações inverídicas. Exemplificando, segundo a plataforma G1, foram compartilhados nas redes boatos que associavam supostas mortes de voluntários aos testes da vacina desenvolvida na China, contra o Coronavírus.

Portanto, o Estado precisa ser a ponte entre população e consenso científico. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de recursos públicos, utilizar os principais canais de comunicação, com ênfase nas redes sociais, para sanar as dúvidas da população, assim como levar a ela dados confiáveis e alertas sobre a circulação de notícias falsas. Além disso, a pasta da saúde deve, em parceria com o Ministério da Justiça, combater as ‘fake news’, realizando uma força tarefa com as demais instituições de segurança pública, a fim de que as ações sanitárias não sejam mais prejudicadas pelo negacionismo científico.