Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 15/11/2020
Em uma breve reflexão sobre a polêmica Revolta da Vacina, em 1904, nota-se os desafios para assegurar a vacinação transcender o passado e perpetuar no Brasil contemporâneo. Nesse viés, tais obstáculos eternizam-se na saúde pública como sequela, majoritariamente, da negligência e ineficiência governamental e da acentuada repulsão social.
A princípio, é indubitável que a realização de campanhas de imunização, propostas pelo governo, de maneira episódica - feitas eventualmente, sem a periodicidade necessária - viabiliza a predominante inoculação de doenças na sociedade. Exemplifica-se, assim, o retorno do cenário epidêmico de sarampo no país, após erradicação em 2016, consoante o portal G1. Nessa perspectiva, o descaso retratado robustece a sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS) e importuna o bem-estar populacional, de modo a constituir um golpe à dignidade cidadã, pois o Artigo 196 da Constituição Federal de 1988 afirma a saúde como direito de todos e dever do Estado.
Ademais, a propagação de inautênticas referências alusivas à mistificação dos efeitos colaterais fortalecem a incoerente aversão social frente ao programa de imunidade. Nesse enfoque, revela-se o expressivo crescimento nacional do Movimento Antivacina - organização de oposição à vacinação pública - e a consequente ameaça à integridade humana, uma vez que tem-se a possível eclosão de enfermidades consideradas graves e fatais. Posto isso, concerne às redes sociais o aspecto discordante ao promover a disseminação do discurso falacioso, em virtude de, em consonância com Pierre Lévy, a sociedade hiperconectada impedir a presença de um filtro informacional, no qual apenas seja repassado conteúdo verídico.
Infere-se, portanto, a imprescindibilidade de medidas resolutivas e socialmente responsáveis para abrandar a problemática em questão. Nesse prisma, convém ao Ministério da Saúde a elaboração do plano “Esclarecer Para Vacinar”. Tal projeto, por sua vez, deverá prolongar a duração de ações à favor da imunização, por meio da ampliação de recursos financeiros, para custear o aumento do conteúdo biológico nas unidades básicas de saúde. Além disso, instituir a parceria público-privado na realização de palestras com médicos e biomédicos em instituições de ensino, empresas e espaços públicos, bem como a transmissão em plataformas digitais, a fim de ampliar o conhecimento científico relacionado ao processo de fabricação e aos benefícios das vacinas para a vida humana, de maneira a propiciar confiabilidade. Desse modo, provavelmente, o Brasil caminhará em prol da consolidação da convicção na ciência como agente da desenvolução social.