Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 28/12/2020

A Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro em 1904, marcou o país pela resistência popular a vacinação impositiva contra a varíola, que acometia a muitos naquele período. Analogamente a esse contexto, nos dias atuais, percebe-se que ainda há desafios para garantir a imunização dos brasileiros, o que põe em risco toda a nação. Nessa perspectiva, cabe analisar os fatores que favorecem esse entrave, seja a desinformação social, seja a negligência estatal.

Primeiramente, é importante pontuar a ignorância da população como um impasse para a vacinação no país. Nesse sentido, o filósofo alemão Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam o seu entendimento acerca do mundo. Sob tal ótica, em decorrência da escassez de conhecimento geral sobre os mecanismos de ação dos imunizantes no organismo humano, a grande massa popular se torna facilmente manipulável por ideias equivocadas de que as vacinas podem ser prejudiciais para a saúde, inclusive causadoras de outras doenças, em vez de apenas prevenir contra aquelas as quais elas se propõem a combater. Logo, é inadmissível que esse cenário perdure.

Além disso, vale ressaltar a ineficiência governamental em evitar a queda na vacinação contra doenças já erradicadas. Nessa lógica, o artigo sexto da Constituição Federal prevê o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro, entretanto, tal preceito tem sido desrespeitado no país. Em virtude da falta de ação das autoridades em alertar as pessoas sobre os riscos da reincidência de distúrbios já extintos, como a poliomielite e o sarampo, torna-se comum que a imunização contra elas diminua, uma vez que os indivíduos param de temer os efeitos das doenças. Isso se evidencia pelos dados divulgados pelo Ministério da Saúde que mostram uma queda preocupante na taxa de cobertura da poliomielite, nos últimos anos, o que expõe o país a uma nova epidemia de paralisia infantil.

Dessa maneira, medidas são urgentes para conter a problemática. Destarte, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, deve promover campanhas intensas em prol da vacinação. Isso se dará por meio de propagandas televisivas e postagens em redes sociais oficiais de tais órgãos, as quais explicitarão a forma como a vacina age no corpo humano, os seus efeitos benéficos e, ainda, os riscos do retorno de doenças temerárias que já foram efetivamente combatidas por intermédio das prevenções. Além disso, é necessário desmentir, através de evidências científicas, todas os mitos que têm sido atribuídos as vacinas, como o desenvolvimento de doenças. Desse modo, os desafios da vacinação do povo tupiniquim serão superados e os direitos resguardados pela Carta Magna do país se efetivarão.