Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 19/11/2020

Segundo a Constituição Federal de 1988, no seu artigo 196, é dever do Estado garantir o acesso à saúde, bem como é responsável pelas medidas públicas para zelar pelo bem-estar físico de todos os cidadãos brasileiros. Entretanto, observa-se que, no Brasil, os processos que versam a respeito dos mecanismos de garantia da vacinação da população ainda são repletos de carências a serem superados. Tal problemática deve-se tanto a fatores de ordem governamental como de ordem social, o que exige reflexão urgente.

Deve-se destacar, de início, o descaso estatal diante da atual crise de vacinação como um dos complicadores do problema.  Isso porque, apesar da saúde ser um pilar garantido constitucionalmente, o Estado falha ao não priorizar investimentos em campanhas de vacinação e em recursos que garantam uma ampla cobertura vacinal, rompendo assim com a teoria do filósofo São Tomás de Aquino de que todos os civis devem ser auxiliados pelo governo vigente. A exemplo disso é a reincidência de doenças como sarampo e poliomielite nas regiões de fronteira, que poderiam ser evitadas com medidas preventivas a toda a população local. Destarte, tal negligência contribui com uma maior disseminação de patologias, bem como corrobora com a precária situação da saúde pública.

Outrossim, vale salientar que a falta de informação social é outro fator que dificulta o controle de doenças, uma vez que muitas pessoas, por não conhecerem os graves riscos que a não imunização pode causar, negligenciam essa prevenção e acabam reduzindo a segurança da população como um todo. Além disso, a disseminação de notícias falsas que associam a vacina ao ato de manifestar patologias interferem diretamente, por exemplo, na escolha dos pais de levarem seus filhos para se vacinar. Nesse sentido, tem-se uma preocupante potencialização do movimento antivacina e, consequentemente, uma população mais suscetível e vulnerável.

Portanto, medidas tornam-se necessárias para resolver o impasse. Cabe às mídias públicas, aliadas às instituições educacionais, deliberar acerca desse problema - haja vista a forte influência que exercem na população - por meio de debates elucidativos, tanto nas redes sociais e demais veículos de comunicação, como nas salas de aulas, com o fito de esclarecer a importância da vacinação, além de ratificar seus riscos. Para mais, os órgãos governamentais devem investir em recursos de imunização que abranjam todas as localidades, sobretudo as regiões mais remotas dos país. Dessa forma, a situação será atenuada e a teoria Aquiniana será melhor aplicada.