Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 12/12/2020

O mito da caverna, de Platão, explica a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora contexto filosófico, a realidade brasileira ressalta-se com a mesma recusa no que diz respeito  para garantir a vacinação dos cidadãos no Brasil. Nesse contexto, a imunização é um desafio brasileiro e persiste devido, não só pelo legado histórico, mas também ao negacionismo científico.

Convém ressaltar, um princípio, que o contexto histórico no Brasil é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, um grande entrave para a imunização, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à passado brasileiro, tal como, no ano de 1904, no  movimento de caráter popular na cidade do Rio de Janeiro que desencadeou uma revolta contra a campanha de vacinação obrigatória, imposta pelo governo federal, contra a varíola. Logo, a história é cíclica e ao se olhar o passado, percebe-se alguns pais deixam de vacinar seus filhos como sinal de protesto e por desacreditar na ciência .

Ademais, o aumento do negacionismo cientifico é um grande impasse para a cobertura vacinal preconizada pelo Programa Nacional de Imunização (PNI). Em tempos de excesso de informações e superficialidade de conteúdos, muitas pessoas vêm aderindo a um movimento conhecido como anti-vacina. Seja por questionarem a segurança da vacina, por temerem os efeitos colaterais, ou por acreditarem que não estão suscetíveis às doenças, levando países a se depararem com surto de doenças há muitos anos erradicadas, como o sarampo. Dados do PNI do Ministério da Sáude, mostra que a taxa de imunização do público-alvo chegou a 63,88%, para vacina BCG, reforçando a queda acentuada nos ultimos 5 anos. Assim, sem a presença de uma lógica cientifica que permita tomar decisões baseado na ciencia esse problema tem sua intervenção dificultada.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. A criação de ações que popularizem o efeito que os antepassados ​​têm sobre a forma de pensar da sociedade atual, pelo Ministério da Educação, em parceria com o Ministério saúde. Tais ações devem se dar por meio de vídeos nas redes sociais sobre a responsabilidade e a importância que a família tem na imunização e saúde dos seus filhos, além de relatos de experiência, dados estatísticos, divididos a quebra de paradigmas socialmente alimentados. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare como responsável pelo problema, pois, de acordo com Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.