Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 28/11/2020
O químico francês Louis Pasteur afirmava que “A ciência é a fonte de todo progresso”. No entanto, hoje ainda existem posturas de resistência diante dos benefícios oferecidos pela ciência à humanidade, como pode-se observar no cenário de vacinações no Brasil. Tal questão é marcada por desafios na garantia da devida cobertura vacinal, a qual é afetada pela disseminação de conteúdos falsos sobre o assunto, que terminam influenciando os brasileiros, além de da falta de conhecimento e instrução acerca da importância e eficiência das vacinas, desencadeando insegurança entre a população.
Em primeiro plano, a influência da veiculação de afirmações falsas sobre as vacinas é um problema sério que impacta a garantia dessa medida de imunização à sociedade. Nesse viés, uma reportagem de 2017 do jornal “O Estado de S. Paulo” denunciou grupos antivacina na rede social Facebook, os quais defendiam a não vacinação embasados em alegações infundadas. Essa realidade é preocupante, pois consoante o filósofo Friedrich Nietzsche, muitas vezes o ser humano adota uma postura de “Moral de Rebanho” ao aceitar e reproduzir o que ouvem e veem sem questionar, seguindo a opinião de uma maioria. Essa tendência defendida pelo filósofo aplica-se à negligência de alguns brasileiros no que diz respeito à vacinação, sendo consequência da passividade diante dos argumentos contrários, comprometendo a adesão aos programas de vacinação.
Paralelamente, outro desafio na garantia dessa prática no país é a desinformação quanto à segurança das vacinas para a saúde humana. Nesse contexto, de acordo com pesquisas do Ministério da Saúde, uma das principais razões para a cobertura vacinal insuficiente no Brasil é a cultura do medo de possíveis efeitos colaterais, repelindo parte da população a essa medida de prevenção de doenças. Essa mentalidade fortemente enraizada no país demonstra uma carência na instrução da sociedade quanto ao entendimento científico de atuação das vacinas, que perpassa desde as aulas de biologia nas escolas, à campanhas midiáticas voltadas ao tema.
Diante dos fatos expostos, é premente a efetivação de medidas que visem a conscientização da sociedade no que tange a vacinação. Para tanto, cabe ao Ministério da Justiça criar um programa Federal de fiscalização capaz de punir os responsáveis pela propagação de informações inverídicas sobre vacinas, auxiliado por um canal virtual de denúncias dessa natureza, a fim de coibir essa prática tão nociva à saúde pública. Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde deve exigir das instituições de ensino o reforço ao estudo da atuação das vacinas nos organismos, por meio das aulas de ciências e biologia, com debates em sala de aula e feiras cientificas, visando a conscientização das próximas gerações com relação à segurança e extrema importância das vacinas para a vida e saúde de todos.