Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 27/11/2020

A criação do Programa Nacional de Imunização (PNI), em 1973, garantiu ao povo brasileiro acesso gratuito a vacinas que foram essenciais na erradicação de muitas doenças graves no país. Contudo, apesar da ampliação desse programa nas últimas décadas, percebe-se uma perigosa contradição: segundo o Ministério da Saúde, a cobertura de vacinação no Brasil está em queda. Esse fato, que representa grave risco de saúde para a sociedade, se deve a dificuldade do governo em conscientizar e informar a população acerca da importância e do funcionamento das vacinas.

Em primeira análise, a falta de conhecimento da sociedade brasileira em relação a atuação dos imunobiológicos é um entrave para o crescimento da taxa de vacinação. Segundo a coordenação do PNI, o Brasil sofre de falta de percepção de risco: como muitas patologias não são mais comuns no país, a população deixa de se preocupar em se imunizar contra elas, sem saber que essa ação facilita a ocorrência de epidemias. Nesse sentido, cabe a ideia do filósofo Schopenhauer de que uma pessoa com conhecimento limitado está sujeita a tomar decisões equivocadas, portanto, a falha do poder público em educar a população a respeito dos perigos da não imunização é um dos motivos para que muitos deixem de buscar esse serviço.

Ademais, a disseminação de notícias falsas é outro agente responsável por esse quadro. De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunização, a ignorância a respeito das vacinas torna a sociedade vítima fácil de boatos anticientíficos relativos a sua eficácia, o que contribui para a hesitação quanto a elas. Nessa lógica, é possível estabelecer um paralelo com o evento histórico de 1904 da Revolta da Vacina, rebelião motivada pela desconfiança popular - estimulada também por boatos - sobre a vacina contra a varíola. Dessa forma, é perceptível que, mesmo um século mais tarde, o governo brasileiro não aprendeu a combater a cultura de desinformação no país e influenciar a população a procurar a vacinação.

Logo, é essencial o desenvolvimento de políticas públicas que visem educar a população brasileira a respeito da importância da vacinação. Visto isso, o Ministério da Saúde deve estudar as áreas onde houve maior queda na cobertura de imunização e destinar recursos para a realização de campanhas nessas regiões. Tais campanhas devem ter caráter informativo, explicando, de forma simplificada e linguagem acessível, o funcionamento das vacinas no organismo, seus possíveis efeitos colaterais e sua importância no controle de epidemias. Dessa forma, através do conhecimento, a população estará ciente dos riscos de abrir mão da imunização, além de estar menos vulnerável a informações falsas, o que estimulará o crescimento das taxas de vacinação novamente.