Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 18/12/2020
No início do século XX, a população da antiga capital do país, Rio de Janeiro, por efeito da postura autoritária do governo e da incompreensão quanto à importância da vacinação, se rebelou contra a obrigatoriedade do ato de imunização criado pelo médico Oswaldo Cruz, o que dificultou tal processo sanitário. Semelhante a esse episódio, a prevenção e o controle de doenças por imunobiológicos nos dias atuais se encontram deteriorados, e isso tem ocorrido tanto pela omissão do governo em garantir os direitos básicos da sociedade, quanto pela irresponsabilidade do cidadão como agente social em relação ao Movimento Antivacina.
Em primeira análise, é válido destacar que, segundo o jornal Estadão, 2020, o desabastecimento de vacinas em unidades básicas de saúde é uma das principais causas da queda do alcance imunológico no país. Nessa perspectiva, tal conduta do Poder Executivo fere a Constituição Cidadã, a qual define a saúde como direito fundamental a todos os habitantes do território, e consiste, dessa forma,na quebra do “Pacto Social”, termo utilizado pelo filósofo contratualista John Locke para definir as obrigações que o Estado tem para com sua população. Em razão disso, as campanhas de vacinação não têm alcançado a magnitude necessária para prevenir patologias, o que enfraquece a qualidade de vida da comunidade, e perpetua o caos sanitário.
Outrossim, cabe mencionar que, consoante ao portal Agência Brasil, em 2018, doenças já erradicadas pela imunização,como sarampo, poliomelite e difteria, têm reaparecido em todo o país, o que aponta para um possível surto. Tal cenário se deve, para a Organização Mundial de Saúde, ao fortalecimento do Movimento Antivacina, o qual refuta, baseado em achismos e no senso comum, a eficácia já comprovada da vacinação. Perante a isso, é pertinente notar que, tal qual o filósofo Sartre afirma que o homem é livre para fazer suas escolhas, mas torna-se o principal responsável pelas suas consequências, o aumento de enfermidades que poderiam ser evitadas é fruto da imprudência e da falta de criticidade do corpo civil, e põe em xeque o bem-estar social.
Verifica-se, portanto, a necessidade de combater tal problemática. Para isso, é essencial que o Ministério da Saúde, em parceria com o da Educação, invista ora no aumento da cobertura vacinal,ora em campanhas de vacinação mais informativas, por meio tanto de palestras escolares quanto de comerciais televisivos, com o intuito de alcançar a meta imunizante e de diminuir a desinformação acerca de tal processo profilático. Dessa forma, o Movimento Antivacina será combatido com eficiência, e o acesso à saúde preventiva, finalmente garantido.