Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 26/12/2020

A Constituição Federal, em seu artigo 6º, assegura a saúde como direito social. Contudo, esse documento é ferido com os impasses enfrentados pelas campanhas de vacinação, os quais dificultam a imunização da população e favorecem retorno de doenças ao país. Dentre os motivos dessa problemática, destacam-se a resistência contra as prevenções, impulsionada pela constante falta de informação, e a negligência estatal, que não destina verbas e ações de combate eficiente. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar da Revolta da Vacina, ocorrida no início do século XX, e marcada pela resistência do corpo social em se vacinar. De maneira análoga, essa revolta ocorre no hodierno, uma vez que a sociedade, devido aos movimentos antivacina e a falta de informações, acredita que esse processo de imunização causa complicações maiores e não adere a eles, como nas notícias de que vacinas causariam autismo, desmentidas por pesquisas do jornal The Lancet. Posto isso, na série brasileira “O Escolhido”, é retratada a cena de uma aldeia que se recusa a tomar a vacina e acredita que ela os infectaria, mostrando como a ficção imita à realidade.

Outrossim, o arcabouço sociológico de banalidade do mal, postulado por Hannah Arendt, afirma que o Estado negligencia situações problemas na sociedade. Logo, essa tese assemelha-se à realidade brasileira, já que o Governo trivializa a importância das campanhas de prevenção e não destina verbas adequadas, o que compromete sua efetividade e abrangência. Segundo jornal O Globo, as vacinas para crianças e jovens está em queda, e nenhuma política pública foi criada para conter esse declínio, e evidencia que quando a banalização é regra, a saúde é exceção.

Por conseguinte, compete ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, criar uma disciplina na Base Comum Curricular que, por meio de oficinas e debates, aborde sobre os assuntos de vacinação, explique como são feitas e a sua importância na prevenção das doenças, com o fito de aumentar as informações que chegam à população. Do mesmo modo, compete ao Governo Federal, com um programa de realocação de verbas, uma maior realocação de investimentos a área de imunologia pública, com o fito de garantir a eficiência e democratização das campanhas de imunização. E só assim, com medidas graduais e progressivas, garantir as campanhas de vacinação e fazer valer a Carta Magna de 1988.